Do Micro Ao Macro

Plano de carreira supera salário como prioridade e como motivo de saída, mostra pesquisa

Levantamento Loved Companies 2025 ouviu dois mil profissionais CLT e revela o que atrai talentos e o que os faz pedir demissão nas empresas brasileiras

Plano de carreira supera salário como prioridade e como motivo de saída, mostra pesquisa
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O plano de carreira superou salário e benefícios tanto na definição do emprego ideal quanto nos motivos que levam profissionais a pedir demissão. Os dados são da pesquisa Loved Companies 2025, da consultoria ILoveMyJob, realizada com cerca de dois mil trabalhadores em regime CLT de todas as regiões do Brasil.

Ao descrever o emprego dos sonhos, 20,42% dos participantes citaram crescimento ou plano de carreira em primeiro lugar. Salário e benefícios aparecem na sequência, com 13,60%, seguidos por colaboração entre equipes (12,46%), transparência (9,69%), autonomia e flexibilidade (8,69%) e liderança próxima ou inspiradora (6,68%).

O mesmo fator que atrai também expulsa

A mesma variável que lidera as expectativas também encabeça os motivos de desligamento voluntário. Quando questionados sobre por que saíram de empregos anteriores, os respondentes apontaram a falta de oportunidades de crescimento ou de um plano de carreira estruturado como principal razão, com 14,66% das menções.

Na sequência aparecem salário e benefícios (13,78%), falta de reconhecimento e valorização (13,46%), sobrecarga de trabalho (12,02%) e exigência de trabalho 100% presencial (10,42%).

Angélica Madalosso, CEO e cofundadora da ILoveMyJob, explica que a avaliação do profissional começa antes mesmo da contratação. “Essa avaliação começa cedo, ainda no recrutamento, quando o candidato compara a promessa da marca empregadora com a experiência do processo seletivo”, afirma a especialista em marca empregadora.

Saúde mental e sobrecarga no radar

A consultoria chama atenção para dois movimentos identificados nos resultados. O primeiro é a valorização de empresas consolidadas, percebidas como ambientes mais estáveis para a construção de carreira no médio e longo prazo. Organizações que investem de forma consistente no desenvolvimento dos funcionários, com estrutura de aprendizagem e oportunidades reais de crescimento, saem na frente na disputa por talentos.

O segundo movimento aparece nos fatores de desistência. A sobrecarga de trabalho ganhou peso entre os motivos de saída, e Madalosso conecta esse dado a uma epidemia de saúde mental no Brasil com reflexos diretos na relação das pessoas com o trabalho. Segundo ela, o resultado é menor tolerância a jornadas excessivamente intensas, especialmente quando faltam suporte, priorização clara ou práticas de cuidado com os funcionários.

LinkedIn lidera a busca por emprego

Entre os canais mais usados para procurar vagas, o LinkedIn aparece em primeiro lugar, seguido pelo networking. O dado reforça a relevância da presença digital das empresas e da coerência entre o que comunicam como empregadoras e o que os candidatos de fato encontram no processo seletivo.

As mais amadas para trabalhar

A pesquisa também traz um ranking das empresas mais mencionadas pelos profissionais como destinos desejados. No recorte nacional, o Itaú lidera, seguido por Sicredi, O Boticário, Natura e Nubank. Completam a lista Eurofarma, Ambev, Vale, iFood e SESC.

No ranking geral, que inclui multinacionais, o Google ocupa o primeiro lugar. A sequência traz Itaú, Apple, Sicredi, Amazon, Grupo Boticário, Natura, Coca-Cola, Nubank e Microsoft.

O levantamento aponta que o Top 10 é dominado por marcas com forte presença no cotidiano do consumidor, um fenômeno descrito pela pesquisa como “efeito halo”: alta visibilidade no mercado tende a reforçar a percepção positiva como empregadora. Agenda ESG, benefícios, flexibilidade e sinais de digitalização também aparecem associados à atratividade dessas empresas.

Um dado chama atenção: quase 15% dos respondentes não indicaram nenhuma empresa como desejada. A pesquisa interpreta esse número como sinal de expectativas mais exigentes e de uma busca por maior autonomia no trabalho.

A Loved Companies 2025 adota metodologia Top of Mind, com grau de confiança de 95% e margem de erro de 5%. A amostra reflete o universo de 48,69 milhões de trabalhadores CLT no país, segundo dados do governo federal. O Sudeste concentrou 74,41% dos respondentes e o Sul, 14,08%.

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