Do Micro Ao Macro
Varejo brasileiro perde R$ 42 bilhões em 2025, e Ozempic aparece entre os vilões do setor
Levantamento da Abrappe aponta que o índice de perdas subiu 9,27% no ano e superou o ritmo de crescimento do faturamento do setor, que avançou 6,4%
O varejo brasileiro perdeu R$ 42,1 bilhões em 2025. O número, levantado pela 9ª edição da Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas no Varejo Brasileiro, realizada em parceria com a Protiviti, expõe uma deterioração que vai além do esperado: enquanto o faturamento do setor cresceu 6,4%, chegando a R$ 2,55 trilhões, o volume de perdas avançou 15,3% no mesmo período.
O índice médio de prevenção de perdas passou de 1,51% em 2024 para 1,65% em 2025, uma alta de 9,27%. Na prática, isso significa que a cada R$ 61 vendidos, R$ 1 foi perdido. Um ano antes, essa proporção era de R$ 66 para cada R$ 1.
Farmácias e o efeito ozempic
Entre os segmentos monitorados, o varejo farmacêutico chamou atenção por um movimento específico: o aumento de furtos ligados a medicamentos de alto valor, especialmente os análogos de GLP-1, como o Ozempic. Apesar disso, o índice geral do setor manteve relativa estabilidade, fechando 2025 em 1,24%.
Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe, aponta que o comportamento dos consumidores em torno das canetas emagrecedoras gerou efeitos em cadeia. “Uma das hipóteses consideradas pelo mercado é que mudanças nos hábitos de consumo, relacionadas às canetas emagrecedoras, estejam impactando a demanda por determinadas categorias de conveniência. Já o varejo farma foi afetado pelo aumento de furtos”, afirma.
Conveniência lidera o índice de perdas
As lojas de conveniência registraram o pior índice entre todos os formatos analisados: 3,81%, com alta de 24,5%. O resultado reflete tanto a pressão de perecíveis quanto a baixa estrutura de prevenção do segmento. A mesma hipótese do ozempic aparece aqui pelo outro lado: as canetas emagrecedoras teriam reduzido a demanda por categorias tipicamente vendidas nessas lojas, elevando as quebras por produtos produzidos e não vendidos.
O segmento de eletromóveis registrou o pior desempenho relativo do levantamento: alta de 278,2% nas perdas totais e crescimento de 641,8% nas perdas não identificadas, categoria que engloba furtos e fraudes em operações omnichannel.
Tecnologia fez diferença em quem investiu
Nem todos os segmentos pioraram. Atacarejos registraram queda de 22,8% nas perdas, consolidando-se como o formato mais eficiente na gestão do problema. Artigos esportivos apresentaram redução de 63,2% nas perdas não identificadas, resultado atribuído ao uso de RFID e controles antifurto.
A pesquisa também identificou melhoras em magazines regionais. Em todos esses casos, o denominador comum foi o investimento em tecnologia: RFID, analytics e monitoramento. Perfumarias seguiram na direção oposta: as perdas operacionais dispararam 319%, ligadas a problemas de validade, manipulação e exposição de produtos.
Os dados chegam ao mercado em junho
Os resultados serão apresentados publicamente no Fórum Abrappe de Prevenção de Perdas, marcado para 10 de junho de 2026, na Arena Magalu, em São Paulo, com programação das 12h às 22h.
Para Carlos Eduardo Santos, os números de 2025 deixam um recado direto ao setor: “As perdas cresceram mais do que o varejo. Enquanto o faturamento avançou 6,4%, o impacto financeiro das perdas aumentou 15,3%, ultrapassando R$ 42 bilhões”, diz o presidente da Abrappe. A prevenção de perdas, segundo ele, precisa ser tratada como prioridade pelo setor.
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