Do Micro Ao Macro

Conheça microempreendedores que transformam saberes tradicionais em negócios sustentáveis

Projeto apoia jovens de 18 a 35 anos com formação, mentoria e capital semente para estruturar negócios ligados à sociobioeconomia

Conheça microempreendedores que transformam saberes tradicionais em negócios sustentáveis
Conheça microempreendedores que transformam saberes tradicionais em negócios sustentáveis
Cristiane Alves Neves, da CL Saboaria Artesanal Divulgação Cristiane Alves Neves, da CL Saboaria Artesanal Divulgação
Apoie Siga-nos no

O avanço de microempreendedores no Brasil tem ganhado novas camadas nos últimos anos. Além do crescimento no número de formalizações, cresce também a presença de negócios que partem da cultura local, da biodiversidade e de práticas transmitidas entre gerações.

Em 2025, mais de 4,6 milhões de pequenos negócios foram abertos no país, segundo o Sebrae. Os Microempreendedores Individuais responderam por cerca de 77% das novas formalizações. No Norte e no Nordeste, parte desse movimento está ligada à sociobioeconomia e à economia criativa.

É nesse ambiente que surge o Negócio Raiz, iniciativa voltada ao fortalecimento de jovens empreendedores que estruturam atividades baseadas em saberes tradicionais e identidade territorial.

De acordo com Sidnei Pereira, responsável pelo relacionamento com empreendedores na Aliança Empreendedora, reconhecer o valor do território é passo decisivo para consolidar esses negócios. “Cada família tem seu jeito de produzir e de lidar com a matéria-prima. Esse conhecimento é próprio de cada lugar”, afirma.

Ainda assim, transformar tradição em renda exige organização. “O desafio está em precificar corretamente e demonstrar ao mercado que esse saber agrega valor”, diz.

O Negócio Raiz, realizado pela Aliança Empreendedora com apoio da Youth Business International e financiamento da Standard Chartered Foundation, atende jovens entre 18 e 35 anos.

O projeto oferece formação online e presencial, mentoria, aceleração e investimento financeiro. No segundo ciclo, realizado ao longo de 2025, foram organizadas 18 turmas no Pará e na Bahia, beneficiando 1.078 microempreendedores. Ao final, oito participantes receberam capital semente de R$ 3 mil cada.

No primeiro ciclo, em 2024, mais de 800 pessoas participaram das atividades.

Microempreendedores de moda e identidade

Entre os participantes está Flávia Amorim, da Flauer Loja, em Belém. Ela produz acessórios com sementes, miçangas e resíduos. “As peças são feitas à mão e carregam pertencimento”, afirma.

Em Caruaru, Wendele do Nascimento Azevedo criou a Karua, plataforma que conecta artesãos a novos mercados. “Ampliamos as vendas e ajudamos artesãos a acessar feiras e editais”, explica.

Produção regional e renda

No Amazonas, Cristiane Alves Neves, da CL Saboaria Artesanal, utiliza óleos reaproveitados e insumos regionais na produção de sabão e sabonetes. Com o recurso recebido, pretende estruturar um ateliê.

“Sempre atravessei o rio para assistir às aulas. Hoje conseguimos internet e seguimos ampliando o negócio”, relata.

Também em Manaus, Raphael Nobre conduz o Coimbra Alimentos da Amazônia, que produz biscoitos com cupuaçu e castanha-do-Pará. “Os sabores reforçam a importância da preservação ambiental”, afirma.

Ao conectar capacitação, identidade territorial e geração de renda, o Negócio Raiz se insere no crescimento do microempreendedorismo nas regiões Norte e Nordeste.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo