Do Micro Ao Macro

7 em cada 10 líderes pensaram em largar o cargo pela saúde mental

Pesquisa com 750 profissionais mostra que 88% das lideranças trabalham sob pressão constante e 78% assumiram o cargo sem formação suficiente

7 em cada 10 líderes pensaram em largar o cargo pela saúde mental
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Como a saúde mental está deixando ações pontuais para a agenda permanente das empresas saúde mental,
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Sete em cada dez líderes brasileiros já cogitaram deixar o cargo por causa dos impactos na própria saúde mental. O dado vem de um estudo da Conquer In Company, unidade de treinamentos corporativos da escola de negócios Conquer, que ouviu 400 líderes e 350 profissionais de RH de diferentes setores e regiões do país. O levantamento mapeou os principais dilemas, desafios e lacunas no desenvolvimento de lideranças no Brasil em 2026.

A pesquisa revela um quadro de desgaste. Entre os entrevistados, 88% relataram trabalhar sob pressão constante, sendo que 44,6% descrevem essa pressão como alta ou extrema. Os efeitos aparecem no dia a dia: cansaço mental, esgotamento, estresse e dificuldade de se desconectar foram as queixas mais frequentes.

Pressão na saúde mental vem de todos os lados ao mesmo tempo

Quando perguntados sobre as responsabilidades que mais pesam na rotina, dois pontos empataram no topo: desenvolver pessoas e gerenciar conflitos, citados por 58% dos líderes, e conciliar demandas de planejamento com as operações do cotidiano, também apontado por 58%. Lidar com mudanças constantes apareceu em terceiro lugar, mencionado por 44%.

Dentro da tarefa de desenvolver pessoas, os obstáculos se acumulam. A falta de tempo para acompanhar o próprio time foi citada por 20,9% dos líderes. A ausência de ferramentas e processos adequados aparece para 17,1%, e o baixo engajamento da equipe para 15,6%.

Esse acúmulo de demandas sem suporte adequado ajuda a explicar por que a saúde mental virou pauta obrigatória nas empresas. O número de afastamentos por transtornos mentais atingiu o maior patamar da última década no Brasil, com 546.254 casos registrados pela Previdência Social.

78% dos líderes assumiram o cargo sem preparo

O estudo aponta um problema paralelo ao esgotamento: a falta de formação. Sete em cada dez líderes assumiram posições de gestão sem treinamento suficiente, aprendendo a liderar no exercício da função. Quase nove em cada dez admitiram conduzir processos de mudança sem clareza sobre o caminho, com certa frequência.

Além disso, 63% dos líderes consideram que a capacitação de gestores é tratada como baixa prioridade dentro das próprias empresas onde trabalham.

“No mercado de trabalho, existe uma percepção equivocada de que bons profissionais automaticamente se tornam bons líderes”, afirmou Giovana Chimentão, diretora de Educação da Conquer In Company. “A liderança está longe de ser um talento inato: é uma competência construída. Desenvolver pessoas, lidar com a pressão, conduzir mudanças e dar direcionamento a equipes exige preparo, prática e evolução contínua. Quando a preparação não acompanha o aumento das responsabilidades, o desgaste e a sobrecarga acabam se tornando inevitáveis.”

O que o RH enxerga de dentro

A percepção dos líderes encontra respaldo em quem os acompanha nas organizações. Entre os 350 profissionais de RH ouvidos pela pesquisa, 58,4% reconheceram que o investimento em capacitação de lideranças é inexistente ou muito baixo nas empresas onde atuam.

Como resultado, 54,1% dos profissionais de RH avaliam que os líderes de suas organizações atendem às exigências do cargo apenas de forma moderada, com limitações relevantes diante de situações mais complexas. Outros 34,6% classificam essa capacidade como baixa ou muito baixa.

“Nossos dados mostram que as empresas já entenderam a importância de formar gestores preparados, mas ainda encontram dificuldade em transformar esse entendimento em prioridade prática”, disse Giovana. “Quando esse apoio fica em segundo plano, os impactos aparecem na dinâmica das equipes, no clima organizacional e na capacidade das empresas de sustentar mudanças de forma saudável.”

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