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Só 6% das lideranças são femininas no Brasil; especialista revela cinco dicas para impulsionar carreiras de mulheres
Pesquisas mostram que o avanço das mulheres nos altos escalões ainda é lento, e especialista aponta cinco práticas de RH que podem acelerar esse processo
Mesmo com avanços recentes, a liderança feminina ainda é minoria nos altos escalões das empresas brasileiras. Segundo pesquisa da Bain & Company, as mulheres ocupam cerca de 34% dos cargos executivos e apenas 10% dos assentos em conselhos de administração. Nos postos mais altos, o número que chama atenção é outro: só 6% das lideranças de topo são femininas, ainda que esse percentual tenha dobrado em 2025.
O cenário fica mais grave quando comparado ao mundo. Um estudo do Panorama Mulheres aponta que apenas 17,4% das empresas com presidência formalizada no Brasil são lideradas por mulheres, percentual abaixo da média mundial de 29%.
Cinco práticas que o RH pode adotar
Para Elenise Martins, fundadora da EMRH Consultoria, o setor de Recursos Humanos tem um papel decisivo nessa mudança. Ela aponta cinco práticas que podem acelerar o avanço da liderança feminina nas organizações.
A primeira é a transparência nos critérios de progressão de carreira. Segundo Martins, “a igualdade de oportunidades se consolida quando todos compreendem as regras do jogo, favorecendo a meritocracia.”
A segunda envolve unir avaliação de desempenho ao plano de desenvolvimento individual (PDI). “Essas ferramentas ajudam a profissional a entender onde está e o que precisa ser feito para chegar ao próximo nível que almeja”, afirma a especialista.
Reintegração e programas de desenvolvimento
A terceira prática indicada por Martins é o workshop de reintegração após a licença maternidade. Para ela, “carreira e vida pessoal se constroem de forma integrada”, e reconhecer isso é parte de uma gestão mais humana.
A quarta recomendação são programas de desenvolvimento voltados a mulheres, com foco em habilidades como comunicação, escuta ativa e mediação de conflitos, competências que fortalecem o potencial de liderança.
Dados como ponto de partida
A quinta prática é o monitoramento de indicadores de equidade, acompanhando dados de contratação, promoção, remuneração e ocupação de cargos. “Não se trata de privilegiar as mulheres, mas de criar condições equilibradas de crescimento, em que talento, competência e performance sejam os principais critérios”, diz Martins.
Para a especialista, empresas que investem na diversidade em postos de comando tendem a registrar melhor desempenho e equipes mais engajadas. O argumento, segundo ela, vai além da equidade e entra no campo dos resultados organizacionais.
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