Do Micro Ao Macro
Inteligência artificial já está em 56% das incorporadoras brasileiras, aponta pesquisa
Levantamento apresentado no Morada Summit 2026 mapeia adoção da tecnologia no setor e aponta que preparação de equipes é o maior obstáculo à evolução
Mais da metade das incorporadoras brasileiras já utiliza inteligência artificial em alguma etapa de suas operações. O dado vem de uma pesquisa inédita divulgada nesta semana durante o Morada Summit 2026, em São Paulo, e aponta que 56,5% das empresas do setor imobiliário já adotaram a tecnologia de alguma forma.
O levantamento foi desenvolvido pela Morada.ai, proptech voltada ao setor, em parceria com a BCB Inteligência e a agência Upload. O evento aconteceu no Cubo Itaú e reuniu cerca de 300 executivos, incorporadores, investidores e especialistas.
Para Ramon Azevedo, CEO da Morada.ai, o debate do setor mudou de patamar. “A discussão já não é mais se as empresas vão utilizar IA, mas como aplicar essa tecnologia para gerar eficiência, produtividade e melhores decisões de negócio”, disse. “O próximo passo será conectar dados, sistemas e processos para ampliar ainda mais o impacto da tecnologia nas operações.”
Produtividade e redução de custos lideram os benefícios
Entre as empresas que já utilizam a tecnologia, os impactos mais citados são melhoria no atendimento ao cliente (35%), aumento de produtividade (31,2%), redução de custos (30,8%) e apoio à tomada de decisões (30,8%).
A maior parte dessas empresas, 67,9%, adota soluções de terceiros. Apenas 15,4% desenvolveram ferramentas próprias. Em termos de tempo de uso, 41,7% das companhias trabalham com inteligência artificial há entre um e três anos, o que indica que a consolidação do setor ainda está em andamento.
As áreas com maior penetração da tecnologia são marketing comercial e gerenciamento de obras, ambas com 31,6% das menções. Projetos e engenharia, controle financeiro e automação de processos aparecem logo depois.
Claude, ChatGPT e Gemini dominam as plataformas
As ferramentas mais utilizadas pelas empresas entrevistadas são Claude (22,7%), ChatGPT (19,9%), Gemini (13,1%) e Copilot (9,1%). A diversidade de plataformas já adotadas pelo setor indica que o mercado não se concentrou em um único fornecedor.
Bruno Cantalupo, diretor da BCB Inteligência, aponta que a diferença entre as empresas mais avançadas não está no tamanho. “O que observamos é que a diferença entre as empresas que estão avançando mais rápido e as demais não está no tamanho da operação, mas na capacidade de converter interesse e testes pontuais em implantação estruturada, processos, governança e resultados mensuráveis.”
Falta de preparo das equipes é o maior obstáculo
A pesquisa também mapeou o perfil de quem ainda não aderiu à tecnologia. Entre essas empresas, a principal barreira é a dúvida sobre o retorno do investimento (23,8%). A falta de equipe preparada aparece em seguida (19,5%), junto com prioridades mais urgentes e desconhecimento sobre inteligência artificial, ambos com 17,3%.
Jota Baptista, fundador da Upload, reforça esse ponto. “O principal desafio identificado não está na tecnologia, mas na preparação das equipes. As empresas querem implementar IA, mas ainda buscam respostas sobre capacitação, governança e aplicação prática.”
Investimentos devem crescer em 2026
O apetite pelo tema segue em expansão. Entre as empresas que ainda não utilizam inteligência artificial, as áreas de maior interesse para adoção futura são análise de crédito (21,1%), projetos e engenharia (20%) e marketing comercial (18,4%).
Entre as que já utilizam e declararam seus investimentos, 37,1% pretendem ampliar os aportes ao longo de 2026, enquanto 35,8% devem manter os níveis atuais.
Luis Veloso, CRO da Morada.ai, resume o próximo passo do setor. “O desafio agora é fazer com que as empresas que já utilizam IA consigam converter essa adoção em produtividade, eficiência e resultado financeiro.”
Quem respondeu à pesquisa
A amostra foi formada principalmente por incorporadoras (52,7%) com entre 51 e 200 funcionários (36,5%). São Paulo concentrou 41,4% dos respondentes, seguido por Minas Gerais (8,7%), Santa Catarina (8%) e Paraná (7,1%).
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