Do Micro Ao Macro

R$ 5,6 trilhões em disputa: por que o IBS pressiona PMEs a rever preços, sistemas e rotinas fiscais

Novo imposto do consumo entra em vigor em 2026, exige mudanças operacionais nas PMEs e pode ampliar litígios em um contencioso já bilionário

R$ 5,6 trilhões em disputa: por que o IBS pressiona PMEs a rever preços, sistemas e rotinas fiscais
R$ 5,6 trilhões em disputa: por que o IBS pressiona PMEs a rever preços, sistemas e rotinas fiscais
IBS entra em vigor em 2026, unifica tributos sobre consumo e exige adaptação das PMEs em preços, sistemas e controles fiscais
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A implementação do IBS a partir de 2026 reposiciona médias e pequenas empresas no debate tributário brasileiro. O novo imposto unifica a cobrança sobre o consumo, altera a lógica de apuração e entra em vigor em um ambiente no qual o contencioso tributário já supera R$ 5,6 trilhões. A combinação entre mudança estrutural e baixa preparação do mercado amplia o risco de disputas fiscais.

Segundo levantamentos do setor, apenas 11% das empresas afirmam estar prontas para a nova tributação. O dado acende alerta para um possível aumento de litígios, sobretudo entre negócios de menor porte, que operam com margens curtas e menor capacidade de investimento em tecnologia.

IBS redefine a tributação do consumo

O IBS, sigla para Imposto sobre Bens e Serviços, foi criado pela Reforma Tributária para substituir ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins. A proposta é unificar esses tributos em uma cobrança nacional, com regras padronizadas e arrecadação compartilhada entre estados e municípios.

A apuração ocorre com base no valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva. Assim, a empresa paga imposto apenas sobre o valor que adiciona ao bem ou serviço, com direito a crédito do imposto pago na etapa anterior. O modelo também adota a cobrança “por fora”, com o tributo destacado do preço final.

Estimativas indicam que a alíquota de referência do IBS pode se aproximar de 28%, o que exige revisão de preços, contratos e estratégias comerciais.

IBS exige revisão de preços e rotinas

Com a entrada do IBS, empresas precisarão reavaliar formação de preços, gestão de estoques, prazos de pagamento e recebimento, classificação fiscal e integração de dados contábeis. O impacto tende a ser maior para PMEs, que enfrentam limitações de caixa e infraestrutura tecnológica.

De acordo com Mary Elbe Queiroz, advogada tributarista e presidente do Cenapret, a adaptação envolve custos adicionais e mudanças operacionais. “A principal preocupação das pequenas e médias empresas será a complexidade da apuração, os gastos com tecnologia e a definição do valor agregado em cada operação”, afirma.

Risco de erro amplia disputa tributária

O IBS exige controles mais rigorosos para evitar falhas na apuração do valor agregado. Erros podem resultar em perda de créditos, dupla tributação ou autuações fiscais, com impacto direto no fluxo de caixa.

Setores como varejo e serviços concentram riscos maiores, devido ao volume de transações e à necessidade de registro preciso de cada operação. “Essas empresas precisarão analisar com mais cuidado suas rotinas para identificar corretamente o valor agregado e evitar autuações”, diz Mary Elbe Queiroz.

Integração fiscal se torna exigência

A unificação de tributos altera a dinâmica entre faturamento, contabilidade e apuração fiscal. Para muitas PMEs, que não contam com equipes dedicadas, a adaptação exige maior coordenação entre áreas internas e apoio técnico externo.

Segundo a especialista, a compreensão das novas regras será determinante para reduzir riscos. “Empresas menores podem enfrentar dificuldades na interpretação do novo modelo, o que demanda acompanhamento especializado”, afirma.

Transição até 2032 amplia complexidade

A Reforma Tributária prevê um período de transição até 2032, no qual sistemas antigos convivem com o IBS. Durante esse intervalo, empresas podem enfrentar custos administrativos maiores, com ajustes contínuos e processos paralelos.

Ao mesmo tempo, a redução do número de tributos tende a diminuir etapas burocráticas ao longo da cadeia produtiva. Estados e municípios deverão adotar mecanismos de compensação de arrecadação, o que pode reduzir impactos em setores específicos.

Diante desse quadro, especialistas defendem que o planejamento para o IBS seja iniciado antes da entrada em vigor, com revisão de sistemas, preços e controles fiscais para reduzir riscos associados à nova tributação.

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