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Como alinhar a IA à cultura e aos objetivos de negócios

Grant Thornton aponta que adoção da tecnologia sem conexão com os objetivos da empresa pode comprometer resultados e orçamento.

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5 áreas que estão sendo transformadas pela IA e já alteram decisões nas empresas Inteligência Artificial Empresas Tecnologia Digital
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A corrida das empresas por IA nem sempre vem acompanhada de um plano. Segundo a Grant Thornton, parte das organizações adota a tecnologia sem saber ao certo qual problema pretende resolver, o que abre espaço para gasto sem retorno.

Para Elias Zoghbi, líder de Consultoria Tecnológica e da Indústria Financeira da Grant Thornton Brasil, o resultado depende de conexão direta entre a ferramenta e os objetivos do negócio, e não do desejo de seguir uma tendência.

“Hoje, muitas empresas querem utilizar inteligência artificial, mas ainda não têm clareza sobre qual problema estão tentando resolver. O risco é adotar tecnologia pela tecnologia, sem conexão com as prioridades da organização”, afirma Zoghbi.

IA exige objetivo claro antes da adoção

Assim, o especialista defende que a discussão sobre IA comece pela definição dos resultados esperados. Entre eles estão corte de custos, ganho de produtividade, melhoria na experiência do cliente e desenvolvimento de produtos e serviços.

“A inteligência artificial não pode ser tratada como um fim em si mesma. Ela é uma ferramenta para acelerar o negócio, aumentar a competitividade e trazer melhores resultados financeiros. Quando a empresa entende onde quer chegar, fica mais fácil definir como a tecnologia pode contribuir para esse caminho”, explica Zoghbi.

Empresas cobram retorno sobre investimento

Além da falta de foco, o avanço da tecnologia levanta outra questão: o custo. Segundo Zoghbi, boa parte das companhias ainda não mede o retorno dos valores investidos em IA.

“O momento é de forte investimento em inteligência artificial, mas inevitavelmente veremos uma fase de maior racionalização quando os custos começarem a pesar. As empresas precisarão demonstrar resultados e justificar os investimentos realizados”, afirma Zoghbi.

Por isso, ele recomenda separar o que é aplicação voltada à eficiência do negócio do que é projeto de pesquisa e experimentação. Cada frente tem prazo e expectativa de retorno diferentes, e misturar as duas contas tende a dificultar o controle do orçamento.

Executivos ainda aprendem a aplicar IA

Outro ponto levantado por Zoghbi é o preparo da liderança. Muitos executivos reconhecem o peso da inteligência artificial, mas ainda enfrentam dificuldade para entender onde ela se aplica na prática.

“Existe uma pressão muito grande para as lideranças demonstrarem que estão utilizando inteligência artificial. Mas, muitas vezes, elas ainda estão aprendendo como a tecnologia funciona e quais oportunidades fazem sentido para suas organizações”, ressalta Zoghbi.

Nessa lacuna de conhecimento mora um obstáculo para a inovação, segundo ele. “O executivo tende a rejeitar ou bloquear aquilo que não compreende plenamente. Por isso, o aprendizado contínuo da liderança deixou de ser opcional e passou a ser uma necessidade”, avalia Zoghbi.

Inovação parte do negócio, não da tecnologia

Zoghbi também chama atenção para um erro recorrente nas empresas: colocar toda a responsabilidade da mudança nas mãos da área de tecnologia.

“A inovação não nasce da tecnologia. Ela nasce do negócio. Cabe à liderança definir os objetivos, identificar oportunidades e direcionar as prioridades. A tecnologia é responsável por viabilizar isso”, explica Zoghbi.

Assim, cabe aos executivos assumir a definição das iniciativas, estabelecer métricas de sucesso e estimular uma cultura de teste dentro da empresa. “As empresas que vão capturar mais valor da inteligência artificial serão aquelas capazes de testar rapidamente, aprender rapidamente e ajustar a rota com a mesma velocidade. A IA exige evolução contínua, e isso começa pela liderança”, conclui Zoghbi.

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