Do Micro Ao Macro

Veja como a IA está ajudando PMEs a conseguir crédito mais barato

Modelos preditivos passam a interpretar a realidade dos pequenos negócios além do score bancário tradicional e ampliam o acesso a capital

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O acesso ao crédito por micro e pequenas empresas começou 2026 em terreno mais favorável, segundo dados do Sebrae e da FGV, que apontam o melhor patamar do indicador nos últimos doze meses. Ainda assim, o gargalo segue estrutural: levantamento da Serasa Experian mostra que 48% das pequenas e médias empresas no país encontram barreiras para obter linhas de financiamento.

A distância entre oferta crescente e dificuldade real de acesso ajuda a explicar por que o crédito para PMEs continua na pauta econômica. O debate, agora, vai além do volume disponível. Passa por encontrar formas mais precisas de ler a realidade desses negócios, e é aí que a inteligência artificial aparece como peça central.

Para Cora, IA permite leitura mais profunda do negócio

Para Igor Senra, CEO e cofundador da Cora, instituição financeira voltada a PMEs com mais de 1,5 milhão de clientes no país, o entrave histórico do crédito para pequenos negócios sempre foi traduzir a realidade dessas empresas para os critérios convencionais de análise.

“O crédito é uma alavanca poderosa para o crescimento dos pequenos e médios negócios, mas precisa ser oferecido no momento certo e da forma correta. O que a IA permite é justamente isso: enxergar o negócio com mais profundidade, entender seu momento real e oferecer crédito de forma mais adequada à sua capacidade de pagamento. Assim, é possível disponibilizar a linha de crédito certa, de forma alinhada à saúde financeira da empresa”, afirma.

A Cora encerrou 2025 com crescimento operacional acima de 60% e mais de R$ 190 bilhões em volume transacionado. Para 2026, o crédito ocupa posição de destaque no plano de expansão. Capital de giro e antecipação de recebíveis já compõem o portfólio, e a fintech prepara o avanço dessas frentes apoiada em tecnologia e inteligência de dados.

Modelos preditivos leem além do score bancário

Do lado tecnológico, o avanço dos modelos preditivos baseados em dados relacionais marca uma das mudanças mais relevantes do setor de crédito. Em vez de depender apenas do histórico bancário ou do score tradicional, esses modelos identificam padrões financeiros e operacionais que revelam a saúde real do negócio, mesmo quando o histórico formal é limitado.

Nesse espaço atua a Avra, empresa brasileira de tecnologia fundada em 2024, que desenvolve modelos proprietários de inteligência artificial para converter dados fragmentados em leitura preditiva aplicada a decisões sobre PMEs, do crédito à segmentação. A companhia se posiciona como alternativa aos modelos clássicos de risco, com foco em capturar sinais que o sistema convencional costuma ignorar.

“O problema do crédito para PMEs nunca foi só falta de dado, mas a falta de modelo para interpretar a realidade desses negócios. Quando você olha apenas histórico bancário ou score tradicional, deixa de fora empresas consistentes que operam bem, geram caixa e honram compromissos. Modelos de IA baseados em dados relacionais ajudam a enxergar exatamente esses sinais que o sistema antigo tende a perder”, afirma Bruno Alano, cofundador e CTO da Avra.

Crédito mais inclusivo para pequenos negócios

A combinação entre dados transacionais, Open Finance e modelos preditivos começa a desenhar uma infraestrutura capaz de tornar o crédito mais acessível e mais preciso. No Relatório de Estabilidade Financeira, o Banco Central destacou que, em ciclos de aperto monetário, quanto menor o porte da empresa, mais rápido sua capacidade de pagamento sente o impacto. O dado reforça a necessidade de modelos que calibrem melhor risco, valor, prazo e adequação da oferta.

Para as PMEs, a mudança pode representar salto de competitividade. Ao serem avaliadas por critérios que refletem a operação real, e não apenas o passado formal, empresas com caixa saudável mas histórico bancário enxuto passam a ter mais espaço para acessar capital no momento adequado.

Crédito mais seguro para quem empresta e para quem toma

A IA também aparece como instrumento para tornar o crédito mais seguro para o credor e mais sustentável para o tomador. Ao personalizar a oferta a partir da situação real do negócio, a tecnologia reduz distorções de análise, refina a precificação de risco e diminui a chance de superendividamento.

Para Senra, esse é o eixo do trabalho da Cora em 2026: “Nosso foco é ampliar nossa atuação em crédito com ainda mais inteligência, sempre priorizando a sustentabilidade financeira dos empreendedores. Crescer com equilíbrio exige disciplina e a tecnologia precisa estar a serviço disso, não contra.”

Alano segue na mesma direção. “IA não serve apenas para aprovar ou reprovar melhor. Ela ajuda a calibrar o crédito, quanto faz sentido oferecer, em que prazo e em quais condições. Essa precisão é importante porque protege os dois lados, reduzindo o risco de inadimplência para quem empresta e diminui a chance de empurrar uma empresa para um crédito inadequado”, afirma.

O que muda na prática para o empreendedor

Na prática, o uso de IA no crédito para PMEs se traduz em processos mais ágeis, critérios mais claros e ofertas alinhadas ao momento do negócio. No lugar de formulários extensos e análises descoladas do dia a dia, o empreendedor passa a ser avaliado pelo que realmente importa, a saúde da operação.

Para o pequeno e médio negócio brasileiro, isso pode significar mais do que eficiência. Pode representar acesso a capital com aderência maior à capacidade de pagamento e ao estágio de desenvolvimento da empresa, etapa relevante para que o crédito funcione como ferramenta de crescimento, e não como peso adicional sobre a operação.

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