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Boas práticas para médias empresas que querem usar IA agêntica nas finanças

Especialista aponta que qualidade dos dados, adoção gradual e integração do CFO ao processo são passos para avançar com segurança.

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O mercado global de IA agêntica nas finanças cresce em ritmo acelerado, e as médias empresas que não se adaptarem podem perder competitividade e, principalmente, acesso a capital. É o que indica o relatório Agentic AI Market, da Mordor Intelligence, que projeta uma expansão do setor de US$ 9,89 bilhões em 2026 para US$ 57,42 bilhões até 2031, crescimento de 42,14% ao ano.

O setor financeiro já ocupa a dianteira desse movimento. O segmento de Banking, Financial Services and Insurance (BFSI) respondia por 19,12% de toda a participação de mercado em IA agêntica em 2025, a maior fatia entre todos os setores analisados.

Para Fernando Trota, founder e CEO da Triven, referência no modelo CFO as a Service para startups e empresas de tecnologia, os números confirmam uma pressão que as médias empresas já sentem no dia a dia. Segundo ele, investidores e fundos de venture capital passaram a avaliar a maturidade tecnológica da área financeira como parte do processo de due diligence.

“Uma empresa sem dados em tempo real e sem controle de riscos automatizado tende a ser percebida como frágil, independentemente dos resultados operacionais. Em processos de captação de Série B, essa fragilidade pode determinar não só o valuation, mas a viabilidade da própria rodada. A janela de vantagem para quem adotar o modelo agêntico agora está se fechando”, afirma Trota.

O que diferencia a IA agêntica dos sistemas convencionais

Ao contrário das ferramentas tradicionais, que dependem de instruções explícitas a cada etapa, a IA agêntica raciocina e age de forma independente para atingir objetivos complexos.

No ambiente financeiro, isso significa agentes que integram detecção de fraudes, gestão de riscos, atualização de portfólios e análise de crédito em ciclos contínuos, sem que um humano precise intervir a cada passo. A área financeira, assim, deixa de organizar números e passa a gerar contexto, alertar riscos e orientar decisões em tempo real.

Comece pela qualidade dos dados, não pela tecnologia

O primeiro passo, segundo o especialista, não é a aquisição de ferramentas, mas a organização das informações já existentes na empresa.

“Nenhuma camada de IA agêntica funciona bem sobre dados inconsistentes ou fragmentados. O primeiro passo é garantir que a operação financeira esteja gerando informações confiáveis, integradas e acessíveis em tempo real. Sem isso, a automação apenas acelera decisões ruins”, diz Trota.

Adote o modelo de forma gradual

A urgência de modernizar a operação financeira não precisa se traduzir em uma virada completa de uma só vez. A adoção por etapas reduz a resistência interna e permite ajustes antes de uma expansão mais ampla.

“Médias empresas não precisam mudar tudo de uma vez. O caminho mais seguro é identificar onde a falta de visibilidade financeira gera mais risco, seja no fluxo de caixa, na gestão de endividamento ou na previsibilidade de receita, e começar por aí”, explica o executivo.

Integre o CFO às decisões desde o início

Por fim, Trota alerta que a tecnologia só gera valor quando o executivo financeiro está posicionado para agir com base nos alertas e recomendações produzidos pelos sistemas agênticos.

“Empresas que tratam o CFO como um validador de relatórios desperdiçam o principal benefício do modelo: a capacidade de antecipar cenários e reagir antes que o problema se instale”, afirma.

Para o especialista, o CFO do futuro vai além de uma função executiva. “Será um sistema de inteligência distribuída dentro da empresa, capaz de combinar experiência humana e tecnologia para aumentar a qualidade das decisões que movem o negócio”, conclui Trota.

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