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Fim do home office não provoca onda de demissões, mas dificulta atração de talentos

Pesquisa da Korn Ferry mostra que o modelo híbrido se firmou como padrão no Brasil e que a rigidez na política de trabalho cobra um preço na contratação

Fim do home office não provoca onda de demissões, mas dificulta atração de talentos
Fim do home office não provoca onda de demissões, mas dificulta atração de talentos
Estudo mostra que home office elevou a qualidade de vida de 68% dos profissionais em 2025, mas revelou falta de suporte corporativo à saúde mental. home office
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O fim do home office não está provocando uma debandada de funcionários, mas está tornando cada vez mais difícil trazer gente nova para dentro das empresas. É o que aponta o estudo Tendências de RH, divulgado anualmente pela consultoria Korn Ferry, que analisa práticas de gestão de pessoas no Brasil e em outros países.

Segundo o levantamento, 52% das empresas brasileiras não identificam aumento nos índices de demissão voluntária após reduzir os dias de trabalho remoto ou adotar o modelo 100% presencial. O problema aparece no outro lado da equação: para outros 52% das empresas, a exigência de maior presença física dificulta a contratação de novos profissionais, especialmente em setores mais competitivos.

Fim do home office: fonte Korn Ferry Fim do home office: fonte Korn Ferry

Home office segue associado a retenção e resultados

Mesmo com a pressão pelo retorno ao escritório, o trabalho remoto e híbrido continua associado a ganhos em retenção e desempenho, sobretudo na área de tecnologia. O estudo aponta melhorias na qualidade de vida dos funcionários, maior aceitação do modelo e ampliação do alcance geográfico na hora de recrutar, como vantagens que não desaparecem simplesmente porque a empresa decide mudar de política.

Aline Riccio, vice-presidente de Projetos de Aquisição de Talentos da Korn Ferry, resume a mudança de perspectiva que muitas organizações ainda resistem em aceitar. “Modelos mais flexíveis ampliam a autonomia e a autogestão dos profissionais e, ao mesmo tempo, exigem das empresas processos mais maduros para preservar pertencimento, engajamento e cultura”, afirma.

Fim do home office: fonte Korn Ferry Fim do home office: fonte Korn Ferry

O risco não é o modelo, é a desigualdade interna

Para Riccio, o erro mais comum não está na escolha entre presencial e remoto, mas na falta de consistência nas regras. “O maior risco não é o modelo, é a desigualdade percebida. Quando as regras variam por área, a cultura se fragmenta. Para evitar esse efeito, a presença física precisa ter propósito claro, critérios consistentes e governança bem definida”, diz.

O dado sobre retenção reforça a leitura: 48% das empresas afirmam que a flexibilidade tem funcionado como fator para manter funcionários. Entre as políticas mais eficazes, o modelo híbrido com dois a três dias presenciais por semana aparece no topo, com cerca de 30% de presença mensal e, em muitos casos, um dia fixo de home office semanal.

Híbrido domina e deve seguir como padrão

O levantamento também mapeou como os modelos estão distribuídos atualmente. O híbrido com dias obrigatórios no escritório lidera entre as empresas (51%), seguido pelo formato 100% presencial (31%) e pelo híbrido com presença opcional (16%). O horário flexível é a prática mais disseminada, presente em 65% das organizações em 2025, e deve seguir como aposta principal em 2026.

Nos últimos 12 meses, 75% das empresas não alteraram sua política de trabalho remoto. Entre as 25% que fizeram mudanças, 71% reduziram os dias de home office e 24% adotaram o modelo totalmente presencial. Apenas 6% ampliaram o número de dias remotos.

Para os próximos seis a doze meses, 64% das empresas que não mudaram recentemente não planejam alterações. Entre as que pretendem revisar o modelo, a tendência dominante é nova redução dos dias remotos (71%). Nenhuma empresa indicou intenção de migrar para o presencial integral.

Fim do home office: fonte Korn Ferry Fim do home office: fonte Korn Ferry

Rigidez vira desvantagem em mercados disputados

A conclusão do estudo aponta para a consolidação do híbrido como formato padrão, com uso mais intencional dos dias presenciais para colaboração, integração de novos funcionários e fortalecimento da cultura. As decisões, segundo a Korn Ferry, tendem a ser cada vez mais orientadas por dados de produtividade, engajamento e ocupação dos espaços.

Riccio deixa um alerta para as empresas que apostam na rigidez como resposta. “Ser rígido demais vira desvantagem. Em talentos disputados, como na área de tecnologia, flexibilidade é parte do pacote – e quando ela falta, a empresa perde atração, retenção e consistência cultural.”

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