Do Micro Ao Macro
Fim do home office não provoca onda de demissões, mas dificulta atração de talentos
Pesquisa da Korn Ferry mostra que o modelo híbrido se firmou como padrão no Brasil e que a rigidez na política de trabalho cobra um preço na contratação
O fim do home office não está provocando uma debandada de funcionários, mas está tornando cada vez mais difícil trazer gente nova para dentro das empresas. É o que aponta o estudo Tendências de RH, divulgado anualmente pela consultoria Korn Ferry, que analisa práticas de gestão de pessoas no Brasil e em outros países.
Segundo o levantamento, 52% das empresas brasileiras não identificam aumento nos índices de demissão voluntária após reduzir os dias de trabalho remoto ou adotar o modelo 100% presencial. O problema aparece no outro lado da equação: para outros 52% das empresas, a exigência de maior presença física dificulta a contratação de novos profissionais, especialmente em setores mais competitivos.
Fim do home office: fonte Korn Ferry
Home office segue associado a retenção e resultados
Mesmo com a pressão pelo retorno ao escritório, o trabalho remoto e híbrido continua associado a ganhos em retenção e desempenho, sobretudo na área de tecnologia. O estudo aponta melhorias na qualidade de vida dos funcionários, maior aceitação do modelo e ampliação do alcance geográfico na hora de recrutar, como vantagens que não desaparecem simplesmente porque a empresa decide mudar de política.
Aline Riccio, vice-presidente de Projetos de Aquisição de Talentos da Korn Ferry, resume a mudança de perspectiva que muitas organizações ainda resistem em aceitar. “Modelos mais flexíveis ampliam a autonomia e a autogestão dos profissionais e, ao mesmo tempo, exigem das empresas processos mais maduros para preservar pertencimento, engajamento e cultura”, afirma.
Fim do home office: fonte Korn Ferry
O risco não é o modelo, é a desigualdade interna
Para Riccio, o erro mais comum não está na escolha entre presencial e remoto, mas na falta de consistência nas regras. “O maior risco não é o modelo, é a desigualdade percebida. Quando as regras variam por área, a cultura se fragmenta. Para evitar esse efeito, a presença física precisa ter propósito claro, critérios consistentes e governança bem definida”, diz.
O dado sobre retenção reforça a leitura: 48% das empresas afirmam que a flexibilidade tem funcionado como fator para manter funcionários. Entre as políticas mais eficazes, o modelo híbrido com dois a três dias presenciais por semana aparece no topo, com cerca de 30% de presença mensal e, em muitos casos, um dia fixo de home office semanal.
Híbrido domina e deve seguir como padrão
O levantamento também mapeou como os modelos estão distribuídos atualmente. O híbrido com dias obrigatórios no escritório lidera entre as empresas (51%), seguido pelo formato 100% presencial (31%) e pelo híbrido com presença opcional (16%). O horário flexível é a prática mais disseminada, presente em 65% das organizações em 2025, e deve seguir como aposta principal em 2026.
Nos últimos 12 meses, 75% das empresas não alteraram sua política de trabalho remoto. Entre as 25% que fizeram mudanças, 71% reduziram os dias de home office e 24% adotaram o modelo totalmente presencial. Apenas 6% ampliaram o número de dias remotos.
Para os próximos seis a doze meses, 64% das empresas que não mudaram recentemente não planejam alterações. Entre as que pretendem revisar o modelo, a tendência dominante é nova redução dos dias remotos (71%). Nenhuma empresa indicou intenção de migrar para o presencial integral.
Fim do home office: fonte Korn Ferry
Rigidez vira desvantagem em mercados disputados
A conclusão do estudo aponta para a consolidação do híbrido como formato padrão, com uso mais intencional dos dias presenciais para colaboração, integração de novos funcionários e fortalecimento da cultura. As decisões, segundo a Korn Ferry, tendem a ser cada vez mais orientadas por dados de produtividade, engajamento e ocupação dos espaços.
Riccio deixa um alerta para as empresas que apostam na rigidez como resposta. “Ser rígido demais vira desvantagem. Em talentos disputados, como na área de tecnologia, flexibilidade é parte do pacote – e quando ela falta, a empresa perde atração, retenção e consistência cultural.”
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Egea: a cadeira com pedal integrado que tenta colocar movimento de volta no home office
Por Toque Tec
MEI troca o home office por presença no cliente, aponta Sebrae
Por Do Micro ao Macro
Demissão em massa no Itaú abre debate sobre vigilância digital e home office
Por Ana Luiza Sanfilippo



