Do Micro Ao Macro
72% dos consumidores usam o Google na decisão de compra; gerações X e Y ignoram TikTok; veja pesquisa
Pesquisa com mil consumidores brasileiros mostra que 72,4% usam o buscador para validar compras, enquanto influenciadores impactam apenas 2,2%
O TikTok domina feeds e alimenta tendências, mas é o Google que fecha negócio. Uma pesquisa da Optimiza Marketing revela que as gerações X e Y, responsáveis pela maior fatia da renda nacional, recorrem ao buscador como principal ferramenta na decisão de compra, com 64% de lembrança espontânea.
O estudo mapeou o comportamento de mil consumidores brasileiros em dezembro de 2025 e confirmou: o barulho das redes sociais não chega à carteira.
Hábito que vira reflexo
O levantamento, intitulado O Mapa da Busca no Brasil, foi realizado em parceria com a AB Pesquisas e ouviu consumidores de todas as regiões e classes sociais. O foco era exclusivo na intenção de compra para produtos e serviços, excluindo a navegação por entretenimento.
Para as gerações X e Y, o Google deixou de ser apenas um buscador. O uso se tornou reflexo: diante de uma compra, o primeiro movimento é abrir o buscador. Na pesquisa estimulada, a preferência pela plataforma sobe para 72,4%.
Esse comportamento é ainda mais acentuado entre brasileiros com Ensino Superior, onde a preferência pelo Google chega a 70%, e na Classe B, com 69%. Por trás desses números, há também um fator de infraestrutura: o Android está presente em 78% dos aparelhos no Brasil, e nesses dispositivos a barra de busca do Google é nativa e inamovível.
O papel do Google na jornada
Segundo Júlia Neves, especialista em comportamento humano e CEO da Optimiza, a liderança do buscador não é coincidência. “A hegemonia do hábito é a prova real de que a jornada de compra no Brasil não é mais linear, mas um ecossistema baseado em confiança e redistribuição de funções. Enquanto as redes sociais despertam o desejo e o repertório, funcionando como ambiente de influência, o Google permanece como o porto seguro da validação para o brasileiro antes de bater o martelo”, afirma.
Quando o consumidor encontra informações divergentes entre canais, 53,1% seguem a fonte do Google. Apenas 10,2% confiam nas redes sociais para o veredito final.
Orgânico vale mais que pago
A confiança no conteúdo orgânico é de 63%, índice que supera o de anúncios pagos. Isso levou 55% dos entrevistados ao hábito de avançar até a segunda página de resultados em busca de fontes sem patrocínio.
O formato que mais pesa na decisão de compra são as avaliações de outros consumidores, citadas por 43,5% da amostra. O dado contrasta com o peso dos influenciadores digitais, que afetam a escolha de apenas 2,2% dos entrevistados.
Marketplaces e IA dividem espaço
O Google não opera sozinho. Mercado Livre, Amazon e Shopee somam 27,3% de preferência no momento inicial da jornada de descoberta de produtos, acima dos 15,9% do Google Shopping nessa mesma fase.
A inteligência artificial aparece como organizadora de informação no início do processo, ajudando a reduzir dúvidas. Quando chega a hora da transação, porém, o usuário retorna ao ambiente que já conhece.
O que os dados apontam para e-commerces
Para marcas que buscam o dinheiro das gerações que movem a economia, a pesquisa aponta um caminho direto: ter autoridade técnica para a IA indexar, presença nos marketplaces e reputação construída no Google. Viralizar no TikTok pode gerar desejo, mas não garante receita. Na decisão de compra, o consumidor brasileiro ainda pede prova antes de pagar.
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