Do Micro Ao Macro
Gap de execução tira até 30% da eficiência das empresas brasileiras, aponta consultoria
Desalinhamento entre planejamento e operação eleva custos ocultos em até 25% e comprime margens, segundo estudo da consultoria RZ3 Advisory
O gap de execução, distância entre o que as empresas planejam e o que de fato entregam, pode custar até 30% da eficiência operacional. Os números são da RZ3 Advisory, consultoria de estratégia e gestão, e apontam ainda que o mesmo problema eleva os custos ocultos em até 25% e comprime margens entre 5% e 15%.
O estudo parte de um diagnóstico comum no ambiente corporativo: o planejamento avança, mas não chega à operação com a mesma consistência. O resultado é uma perda que não aparece nos relatórios de forma direta, mas que corrói a rentabilidade ao longo do tempo.
Por que a estratégia trava na execução
Junior Rozante, CEO do grupo RZ3, afirma que o fenômeno é mais frequente do que as lideranças reconhecem. “Estratégia é feita no topo, mas a execução acontece na base. Quando ninguém conecta esses dois mundos, o resultado é um desalinhamento estrutural que drena a rentabilidade”, diz.
Segundo ele, o problema começa na falta de desdobramento prático das diretrizes, agravada pela ausência de clareza sobre prioridades e de disciplina operacional para sustentá-las. Sem esse elo, as decisões tomadas na liderança demoram a se traduzir em ação no nível de quem executa.
Crescimento acelerado amplifica o risco
A situação se agrava em organizações que crescem rápido sem estrutura proporcional. Nesse caso, o gap de execução aumenta junto com o faturamento, criando áreas desalinhadas, perda de controle sobre processos e uma dependência maior de pessoas-chave para manter a operação funcionando.
“Mesmo empresas que aparentam saúde financeira podem estar sob risco”, alerta Rozante. O retrabalho superior a 20% nas operações diárias é um dos indicadores que a RZ3 usa para identificar onde o desalinhamento já virou rotina.
Quatro pilares para fechar o gap
A consultoria recomenda uma atuação organizada em quatro frentes: governança, desdobramento estratégico com OKRs e KPIs, redesenho de processos e gestão por performance. A combinação dessas frentes, segundo Rozante, é o que separa empresas que apenas planejam daquelas que entregam com consistência.
Em casos acompanhados pela RZ3, a adoção de modelos de execução disciplinada gerou, em média, ganho de 20% em eficiência e aumento de até 25% nas margens de lucro, além de redução nos custos operacionais.
Sete passos para colocar a estratégia em prática
A RZ3 Advisory sistematizou em sete etapas o caminho para fechar o gap de execução. O processo começa pela definição de prioridades reais, seguida pela criação de KPIs e metas mensuráveis. O terceiro passo é o estabelecimento de rituais e cadência de reuniões de governança.
A partir daí, a sequência envolve definir responsáveis claros por resultados, manter foco no que é relevante em vez do que é urgente, acompanhar indicadores em tempo real e cultivar uma cultura de ajuste rápido diante de desvios.
“O foco deve ser na implementação. É preciso mudar a rotina para que a estratégia deixe de ser um documento estático e passe a ser uma disciplina diária”, afirma Rozante.
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