Do Micro Ao Macro
Flexibilidade define escolhas de trabalho entre brasileiros 65+
Flexibilidade ganha peso nas decisões de carreira, sobretudo entre profissionais 65+, enquanto gerações mais jovens avaliam cultura, tecnologia e liderança
A flexibilidade aparece como principal critério para brasileiros com 65 anos ou mais na busca por emprego, segundo o estudo Workforce Brasil 2025, da Korn Ferry. O levantamento analisa prioridades de permanência e troca de trabalho entre gerações, além de recortes por sexo, uso de tecnologia e expectativas em relação às empresas.
Mesmo em um contexto de expansão da força de trabalho e mudanças legais, as organizações adotam decisões como retorno ao escritório, revisão de estruturas gerenciais e ajustes de custos. Ainda assim, o estudo aponta que essas medidas nem sempre consideram seus efeitos sobre atração e retenção de trabalhadores.
Salário, remuneração total, benefícios, estabilidade e segurança seguem entre os cinco fatores mais citados. Ao mesmo tempo, outros critérios ganham peso conforme idade, geração e momento de carreira.
O que muda entre gerações
Entre os profissionais com 65 anos ou mais, a cultura e os valores organizacionais aparecem com menor relevância. Apenas 67% desse grupo citam o fator, percentual inferior ao observado entre Baby Boomers (76%), Gen Z (79%), Gen X (83%) e Millennials (87%).
No recorte por sexo, 88% das mulheres consideram cultura e valores importantes na escolha de um emprego, contra 81% dos homens.
Já a reputação da organização tem menor impacto para os mais experientes. Apenas 83% dos 65+ levam esse ponto em conta, ante 91% da Gen X, 90% da Gen Z, 89% dos Millennials e 84% dos Baby Boomers.
Segundo a análise do estudo, cultura, propósito e impacto social tendem a não surgir como motivadores explícitos de troca justamente por já serem vistos como requisitos mínimos, sobretudo entre os mais jovens.
Flexibilidade no topo das prioridades
A flexibilidade de jornada aparece como unanimidade entre os profissionais 65+. O fator é considerado relevante por 100% desse grupo, acima dos percentuais observados entre Baby Boomers (76%), Gen X (83%), Gen Z (86%) e Millennials (86%).
O respeito às prioridades pessoais segue o mesmo padrão. Para os mais velhos, esse item também alcança 100% de relevância, superando todas as demais faixas etárias analisadas.
Esses dados indicam que, em estágios mais avançados da carreira, a organização do tempo e o equilíbrio com a vida pessoal pesam mais do que atributos institucionais.
Permanência no emprego
Quando o tema é permanecer no trabalho atual, a confiança no gestor aparece como fator recorrente. O item é citado por 89% dos Baby Boomers, 83% dos profissionais 65+, e 81% tanto da Gen X quanto dos Millennials. Na Gen Z, o percentual chega a 78%.
Mais uma vez, a flexibilidade se destaca entre os mais velhos. Para 100% dos 65+, o horário flexível influencia diretamente a decisão de permanência. Entre os demais grupos, os percentuais variam entre 78% e 87%.
De acordo com o estudo, essas diferenças diminuem após a contratação, quando a experiência prática passa a nivelar expectativas relacionadas a bem-estar e relação com a liderança.
Prioridades do brasileiro em 2025
O levantamento aponta cinco fatores principais na escolha de um novo emprego no Brasil: salário e remuneração, benefícios, oportunidades de avanço de carreira, estabilidade no trabalho e aprendizagem e desenvolvimento.
Na comparação entre 2024 e 2025, a remuneração segue como o principal critério. Cerca de 95% dos respondentes citam salário, bônus e remuneração como determinantes para aceitar uma nova vaga, percentual que se mantém elevado na decisão de permanência.
Benefícios como planos de saúde, programas de bem-estar e licenças aparecem logo atrás, assim como a estabilidade no emprego, vista como prioridade por 93% dos entrevistados ao avaliar oportunidades externas.
A líder do estudo no Brasil, Isadora Reis, explica que avanço de carreira, estabilidade e desenvolvimento refletem a busca por segurança combinada a perspectivas de crescimento alinhadas aos objetivos das empresas.
Tecnologia e uso de IA
O estudo também analisa o papel da tecnologia na atração e retenção. Oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento são citadas por 93% dos que pensam em mudar de trabalho e por 92% dos que avaliam permanecer.
O uso de tecnologias avançadas, como inteligência artificial e automação, alcança 74% de relevância tanto na entrada quanto na permanência em uma organização, sinalizando atenção crescente da força de trabalho à inovação.
Segundo o levantamento, investir em capacitação contínua e requalificação tornou-se um fator competitivo, sobretudo para reduzir a distância entre o ritmo das mudanças tecnológicas e a preparação dos trabalhadores.
Modelos de trabalho, flexibilidade e autonomia
A política de local de trabalho também aparece entre os fatores observados. O modelo presencial, remoto ou híbrido é considerado relevante por 78% dos entrevistados na contratação e por 80% na retenção.
O estudo indica que empresas tendem a obter melhores resultados ao definir regras claras de presença, metas orientadas a entregas e uso de ferramentas digitais que sustentem a colaboração, permitindo acomodar perfis diversos.
Liderança e saúde emocional
A confiança nos gestores diretos aparece como um dos pilares da retenção. Cerca de 74% dos brasileiros citam esse fator ao avaliar uma nova vaga, enquanto 81% o apontam como determinante para permanecer.
O respeito às prioridades pessoais fora do trabalho é mencionado por 86% dos respondentes. Benefícios ligados à saúde física e mental, como assistência médica, apoio psicológico e licenças remuneradas, figuram entre os mais valorizados.
Segundo Isadora Reis, iniciativas como canais de escuta, capacitação de líderes e programas de mentoria fortalecem relações de confiança e ajudam as empresas a reter trabalhadores em diferentes fases da carreira.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



