Do Micro Ao Macro
Fim da escala 6×1 pressiona varejo e deve antecipar decisões estratégicas
Com a escala 6×1 em debate no Senado, estudos apontam impactos no PIB e consultoria lista ações para manter vendas, produtividade e operação no varejo
A discussão sobre o fim da escala 6×1 avançou no Congresso e já mobiliza empresas do varejo. Pesquisas recentes indicam apoio majoritário da população à redução da jornada, enquanto estudos econômicos projetam efeitos relevantes sobre a atividade. O tema passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e segue para o Plenário, com audiências públicas e propostas que preveem a eliminação gradual do modelo adotado em grande parte do comércio.
De acordo com levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro, 57% dos brasileiros se dizem favoráveis ao fim da escala 6×1. Em outro estudo, da Nexus Pesquisa, o apoio chega a 65% quando o foco é a redução da jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, a Federação das Indústrias de Minas Gerais estima que a mudança pode provocar retração de até 16% do PIB, caso não haja ajustes na organização do trabalho.
Diante desse cenário, a Smart Consultoria, especializada em estratégia para marcas de consumo, passou a orientar varejistas sobre como atravessar a transição. Para Eduardo Schuler, CEO da empresa, estruturas baseadas em longas jornadas e baixa produtividade individual tendem a perder espaço. Segundo ele, a adaptação passa por decisões operacionais e uso intensivo de dados.
Fim da escala 6×1 exige otimizar escalas com base em dados
Primeiro, a revisão de horários e turnos precisa considerar informações reais de operação. Análises de fluxo de clientes, conversão por hora e tíquete médio ajudam a reduzir períodos ociosos e a direcionar trabalhadores para momentos de maior demanda. Com isso, o atendimento se mantém e os custos ficam mais controlados.
Integrar tecnologia ao atendimento
Além disso, ferramentas de inteligência artificial ampliam a capacidade de venda por funcionário. Sistemas que sugerem produtos, recuperam histórico de compras e indicam oportunidades de cross-sell e upsell aumentam a eficiência do atendimento, mesmo com equipes menores.
Fortalecer canais digitais
Na sequência, o uso estratégico do digital reduz a dependência do esforço presencial. A captação de leads, a leitura de intenção de compra e o preparo prévio do atendimento antes da ida à loja elevam a conversão e distribuem melhor a carga de trabalho ao longo da semana.
Automatizar processos internos após fim da escala 6×1
Outro ponto envolve a automação de tarefas repetitivas. Controles de estoque, relatórios e registros operacionais podem ser feitos por sistemas, liberando trabalhadores para atividades ligadas diretamente à geração de receita.
Medir desempenho em vez de presença
Por fim, a gestão passa a exigir métricas de resultado. Indicadores como conversão por turno, retorno por hora trabalhada e fluxo de clientes orientam a alocação de equipes e modelos de remuneração. Nesse formato, a produtividade substitui o número de horas como referência de desempenho.
Com a tramitação do fim da escala 6×1 no Senado, o varejo entra em 2026 pressionado a rever práticas de jornada, operação e uso de tecnologia. As empresas que anteciparem ajustes tendem a atravessar o período com menor impacto sobre vendas, margem e organização do trabalho.
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