Do Micro Ao Macro
Fidelização ganha função ESG e premia hábito sustentável do cliente
Especialista lista formas de usar pontos e benefícios para recompensar escolhas sustentáveis e aproximar marcas dos seus consumidores.
Os programas de fidelização vêm assumindo um papel além da pontuação por consumo e passam a recompensar diretamente escolhas sustentáveis dos clientes. A mudança acompanha um cenário em que empresas buscam engajar o consumidor final na agenda ESG, indo de intenções declaradas a hábitos práticos no dia a dia.
Segundo Aluísio Cirino, sócio fundador da Alloyal, loyalty tech que oferece ecossistema de soluções de fidelização, “historicamente, os programas de fidelidade foram desenhados para premiar o volume financeiro, ganha mais quem gasta mais”. Para ele, “a urgência da agenda ESG exige que mudemos a métrica de valor”. Cirino afirma ainda que “o futuro do setor está em recompensar o comportamento e o impacto, não apenas o consumo pelo consumo” e que “quando uma empresa utiliza sua estrutura de benefícios para bonificar hábitos sustentáveis, ela cria um ciclo virtuoso de fidelização por afinidade de valores”.
Com base nessa visão, o executivo lista quatro caminhos para que programas de fidelidade funcionem como ferramenta prática de ESG.
Pontos por hábito de baixo carbono
Entre as opções, está a bonificação de escolhas mais limpas de consumo. Isso inclui premiar quem opta pela entrega agendada, em vez da entrega imediata, ou quem escolhe a fatura digital no lugar da impressa.
Logística reversa com recompensa
Outra frente é a logística reversa bonificada, que converte o descarte correto de resíduos em moeda de troca. Programas que oferecem pontos ou cashback quando o consumidor devolve embalagens vazias ou eletrônicos antigos nos pontos de coleta criam um incentivo financeiro direto para a economia circular.
Doação de saldos parados
Há também a possibilidade de doação de saldos para impacto social, em que o usuário converte pontos ou créditos acumulados em doações para ONGs parceiras. Dessa forma, saldos parados deixam de ficar inativos e passam a virar investimento direto em comunidades.
Consumo de impacto subsidiado
Por fim, o consumo de impacto subsidiado oferece condições de resgate mais vantajosas para produtos com certificações sustentáveis, como orgânicos ou itens de produtores locais. Assim, o programa de fidelização passa a induzir um mercado mais justo, em vez de apenas premiar volume de compras.
Para Cirino, redesenhar recompensas sob a ótica do ESG coloca o setor de fidelização em posição inédita na transição para uma economia mais responsável, menos ligada à filantropia e mais associada a um modelo de negócio direto.
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