Do Micro Ao Macro

Varejo espera R$ 4,3 bilhões com a Copa, mas o maior risco está no estoque

Confederação do Comércio projeta R$ 4,32 bilhões em vendas extras durante o Mundial, mas avanço do e-commerce exige operações mais sincronizadas.

Varejo espera R$ 4,3 bilhões com a Copa, mas o maior risco está no estoque
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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo projeta R$ 4,32 bilhões em receitas extras para o varejo durante a Copa do Mundo de 2026. O montante deve beneficiar categorias como eletrônicos, vestuário, alimentos, bebidas e artigos esportivos, repetindo um padrão observado em edições anteriores do torneio.

Porém, o comércio eletrônico chega a este Mundial em um estágio diferente do registrado em 2022. Segundo projeções da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce, o setor deve movimentar cerca de R$ 259 bilhões em 2026, alta de aproximadamente 53% em relação aos R$ 169,6 bilhões da última Copa.

Assim, o aumento não se limita ao faturamento. Entre uma edição e outra, o e-commerce brasileiro passou a operar com mais consumidores ativos, mais pedidos por ano e vendas distribuídas entre marketplaces, lojas próprias e redes sociais. Por isso, eventos de grande audiência deixaram de ser apenas oportunidade de venda e passaram a testar a capacidade operacional das empresas.

Sincronização separa quem cresce de quem perde margem

Para Claudio Dias, CEO da Magis5, hub de tecnologia que integra operações de sellers em marketplaces como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza, o crescimento das vendas reflete uma mudança de patamar nas operações. “Hoje, os sellers atuam simultaneamente em diversos marketplaces e dependem cada vez mais de sincronização de estoque, automação de processos e gestão centralizada para manter a eficiência”, afirma.

Na avaliação de Dias, o desafio de 2026 superou o de 2022 em complexidade. “A principal mudança foi a necessidade de resposta rápida. Hoje, estoque, preços, pedidos e logística precisam estar sincronizados continuamente entre diferentes canais de venda. O consumidor compra de forma mais imediata e a operação precisa acompanhar esse ritmo”, explica o executivo.

Falha na execução custa caro

Com isso, os riscos operacionais ganham espaço na rotina dos lojistas. Falhas na atualização de estoque ou na integração entre canais podem gerar vendas indisponíveis, atrasos na entrega e prejuízo direto à experiência do consumidor.

“Hoje o desafio vai além de vender mais. Atualização entre marketplaces, processamento de pedidos e capacidade logística precisam funcionar de forma integrada para que a operação consiga absorver os picos de demanda”, diz Dias.

Ainda segundo o CEO da Magis5, erros cometidos em períodos de alta demanda se acumulam. “Quando uma empresa vende um produto que não possui em estoque ou atrasa entregas, o impacto vai além daquela venda. Compromete a experiência, afeta a reputação da marca e pode reduzir a recorrência do cliente”, afirma.

Resultado em campo altera o consumo fora dele

Além da logística, a Copa adiciona outra variável ao varejo: a oscilação do consumo conforme os resultados das partidas. Campanhas promocionais e mudanças de humor do consumidor também provocam variações rápidas na demanda ao longo do torneio.

Por isso, Dias aponta um dos erros mais frequentes entre lojistas. “Muitos lojistas aumentam compras sem considerar histórico, giro dos produtos, capacidade financeira e capacidade operacional. Crescer sem planejamento pode pressionar estoque e reduzir rentabilidade”, afirma.

Nas operações com maior maturidade, o planejamento passa por cenários alternativos durante todo o Mundial. Estoque, capacidade logística e ações comerciais exigem acompanhamento constante, e não apenas projeções feitas antes do início da competição.

Depender só da seleção é risco para o varejo

Outro ponto destacado por Dias está na exposição excessiva ao desempenho da seleção brasileira. “O ideal é evitar estratégias excessivamente dependentes do desempenho do Brasil. Operações mais resilientes trabalham com portfólios diversificados e ajustam campanhas, preços e estoques conforme o comportamento da demanda”, diz o CEO.

Depois do período de pico, o trabalho segue. Ajustar estoque, revisar promoções e recuperar previsibilidade nas vendas tende a pesar tanto quanto o resultado obtido durante os jogos.

Com um e-commerce mais distribuído do que em 2022, a Copa de 2026 deve reforçar o ambiente digital entre os motores do consumo sazonal no país, com o controle de estoque definindo quem aproveita o período e quem perde margem nele.

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