Do Micro Ao Macro

Novo estoque de escritórios em São Paulo cresce e bate marca de dez anos

Levantamento da Binswanger mostra que entregas batem recorde de uma década, enquanto vacância recua e pressiona valores de locação na capital paulista.

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O mercado paulistano deve receber, em 2026, a maior entrega de escritórios dos últimos dez anos. Segundo levantamento da Binswanger Brazil, 327 mil metros quadrados de novas áreas corporativas devem chegar até dezembro, desde que os empreendimentos previstos cumpram o cronograma e não escorreguem para 2027.

Apesar do volume, o equilíbrio de forças no setor não muda. A taxa de vacância está na mínima histórica, em 12,8%, e parte relevante dos imóveis ainda em obra já tem contrato de locação firmado antes da entrega. Em Pinheiros, região responsável por 91 mil metros quadrados, ou 27% do total previsto para o ano na capital, todo o novo estoque já está pré-locado.

Vacância recua após anos de excesso de oferta

Para entender o movimento atual, vale olhar o histórico recente. “Em 2025, tivemos a entrada de apenas 58 mil metros quadrados de escritórios no mercado. Foi o menor volume dos últimos cinco anos, o que possibilitou uma redução relevante da vacância. No primeiro trimestre de 2026, a entrega somou 26 mil metros quadrados, distribuídos na Faria Lima, na Berrini e na Paulista”, afirma Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil. Os empreendimentos da Faria Lima e da Paulista, segundo ela, chegaram ao mercado já parcialmente ocupados.

Entre 2021 e 2024, o cenário era distinto. O período somou 768 mil metros quadrados em entregas, volume que levou a vacância a superar 20% na capital paulista. Hoje, a leitura é outra. “Estamos em um momento de alta absorção líquida, com média trimestral de 72 mil metros quadrados”, diz Simone. No primeiro trimestre deste ano, a diferença entre novas locações e devoluções de áreas chegou a 75 mil metros quadrados.

Empresas disputam metragens menores na falta de grandes áreas

O aumento da procura por espaço corporativo acompanha o retorno gradual ao trabalho presencial e a expansão dos negócios das empresas. Entretanto, a Binswanger observa um padrão que chama atenção: muitos inquilinos optam por metragens menores, justamente porque encontram dificuldade para localizar grandes áreas contíguas disponíveis para locação, sobretudo na Zona Centralizada.

Locações de maior porte costumam depender de duas situações específicas: a entrega recente de um empreendimento ou a liberação de espaço por um inquilino que sai do imóvel. A Uber ilustra o primeiro caso, com a contratação de 12.963 metros quadrados no JK Square, prédio entregue em 2025. Já a Shopee exemplifica o segundo, ao alugar 7.054 metros quadrados no B32, espaço liberado pela saída do Banco Master. No trimestre, apenas outras duas negociações superaram 2 mil metros quadrados: a Novartis, com 6.189 metros quadrados, e a Ericsson, com 5 mil metros quadrados.

Preços sobem em bairros fora do eixo mais valorizado

O mercado de escritórios atravessa um momento de inflexão. Os preços altos e a baixa vacância da Faria Lima produzem efeito em cadeia sobre outras regiões, enquanto proprietários de imóveis mantêm pouca disponibilidade para negociar valores em boa parte da capital paulista.

“A tendência é de forte aumento de preços na cidade de São Paulo, não só na Zona Centralizada. A vacância tem caído em várias regiões da Zona Descentralizada”, afirma Simone Santos. Por isso, existe a possibilidade de que parte do estoque previsto para este ano só seja entregue em 2027, fator que tende a somar pressão adicional sobre os preços.

Estoque total passa de 4 milhões de metros quadrados na capital

Entre janeiro e março, a absorção da Zona Centralizada somou 43 mil metros quadrados, enquanto a Zona Descentralizada registrou 32 mil metros quadrados no mesmo período. Atualmente, o mercado paulistano de escritórios reúne 4,6 milhões de metros quadrados em estoque, divididos entre 2,4 milhões de metros quadrados na Zona Centralizada e 2,2 milhões de metros quadrados na Descentralizada. O ritmo de novas entregas avança de forma equilibrada nas duas regiões.

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