Do Micro Ao Macro

Escala 6×1 concentra maior sobrecarga de horas-extras e eleva riscos

Escala 6×1 responde pela maior parte do excesso de jornada registrado em 33 mil empresas, ampliando exposição a passivos trabalhistas e perdas financeiras.

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A escala 6×1 concentra a maior sobrecarga de horas-extras no mercado formal brasileiro e amplia riscos trabalhistas e financeiros para as empresas. Levantamento da VR mostra que, até outubro de 2025, cerca de 33 mil companhias acumularam mais de 136 milhões de horas-extras, registradas por mais de 1 milhão de trabalhadores que utilizam sistemas de ponto vinculados ao SuperApp VR.

Além disso, os dados indicam que o regime com seis dias de trabalho e apenas um de descanso apresenta maior incidência de jornadas acima do limite legal, reforçando a necessidade de monitoramento e controle da jornada.

Amplia excesso de jornada

Segundo o levantamento, trabalhadores em escala 6×1 representam 29% dos casos de excesso moderado, com jornadas entre 44 e 54 horas semanais. Já no excesso significativo, entre 54 e 64 horas, esse grupo responde por 41,9%. Nos casos de excesso extremo, acima de 64 horas semanais, a participação chega a 19,6%.

Embora correspondam a 28,5% da mão de obra analisada, esses profissionais concentram uma parcela desproporcional das horas-extras. Esse cenário amplia a exposição das empresas a autuações, ações judiciais e custos adicionais relacionados à saúde e à segurança do trabalho.

Comércio lidera adoção da escala 6×1

Na base analisada, o comércio varejista é o setor que mais concentra trabalhadores em escala 6×1. Em 2024, a VR já havia identificado que mais da metade das empresas que utilizavam esse modelo pertenciam ao comércio.

Na sequência aparecem alimentação, administração e hotelaria. Também há registros em segmentos que não adotam escalas fixas, o que dificulta o controle da jornada e aumenta o risco de descumprimento da legislação trabalhista.

Escala 6×1 e a NR-1

O acúmulo de horas-extras ganha relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1. A nova versão da NR-1 entra em vigor em maio de 2026 e passa a exigir a Gestão de Riscos Ocupacionais como item obrigatório.

Nesse contexto, a escala 6×1 demanda atenção específica. Jornadas prolongadas elevam riscos físicos e psicossociais, além de pressionarem indicadores de saúde, segurança e conformidade legal das empresas.

Jornada intensiva e risco financeiro

Segundo Cássio Carvalho, diretor-executivo de negócios da VR, a gestão da jornada deve ser tratada como indicador de desempenho. De acordo com o Painel de Impacto Social da empresa, clientes que utilizam soluções de RH Digital economizaram mais de R$ 1 bilhão até novembro de 2025, considerando redução de processos trabalhistas, turnover e falhas no controle de ponto.

Além disso, o cruzamento de dados aponta relação direta entre jornadas intensivas e menor sobrevivência das empresas. Entre as companhias que encerraram atividades, 42% tinham predominância de trabalhadores em escala 6×1, com tempo médio de vida de cinco anos. Já entre as empresas que operavam majoritariamente em 5×2, a média de sobrevivência foi de sete anos.

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