Do Micro Ao Macro
O que sua empresa não deve fazer no Setembro Amarelo; entenda os erros comuns
Instituto Vita Alere alerta que campanhas mal conduzidas no Setembro Amarelo podem gerar mais risco do que proteção para os trabalhadores
Campanhas de prevenção ao suicídio dentro das empresas costumam repetir os mesmos erros: frases prontas sem conteúdo real por trás, ações concentradas em um único mês do calendário e a condução do tema por quem não tem preparo técnico para isso. Boa intenção, sozinha, não garante proteção.
Com a proximidade do Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre o tema, esse tipo de deslize volta a preocupar especialistas em saúde mental. Segundo eles, ações mal conduzidas podem gerar mais risco do que proteção para quem trabalha.
O alerta parte do Instituto Vita Alere, que reúne quatro pontos como os principais responsáveis pelos erros das empresas: reduzir o tema a frases prontas, entregar a condução a quem não tem preparo técnico, tratar palestras como ações isoladas e restringir o cuidado a um único mês do calendário.
Para Karen Scavacini, psicóloga, doutora em Psicologia pela USP e fundadora do instituto, o erro mais recorrente é tratar a prevenção ao suicídio como pauta de calendário, e não como parte da cultura da empresa. Segundo ela, frases genéricas como “você não está sozinho”, quando aparecem em campanhas sem conteúdo por trás, não cumprem função de proteção. “Mensagens de incentivo podem, sim, fazer parte da campanha, mas precisam vir acompanhadas de informação segura, orientação e caminhos acessíveis para buscar ajuda”, afirma Scavacini.
Frases prontas não fazem prevenção real
Estampar mensagens de apoio sem contexto costuma passar a sensação de acolhimento sem entregar, de fato, um caminho para quem precisa de ajuda. Por isso, segundo a especialista, toda campanha precisa combinar acolhimento com orientação prática sobre onde e como buscar suporte.
Preparo técnico faz diferença na condução
Outro ponto de atenção está em quem conduz a conversa dentro da empresa. Boa intenção não basta: é preciso conhecimento técnico, linguagem segura e capacidade para lidar com perguntas e reações do público. Sem esse preparo, o tema corre o risco de ser conduzido por quem não tem formação para isso, o que pode gerar mais dano do que ajuda.
Palestra pontual não substitui continuidade
Uma palestra isolada também não resolve o problema sozinha. A conversa precisa considerar a realidade de cada empresa e apontar caminhos concretos, como canais de ajuda, fluxos de encaminhamento e preparo das lideranças para reconhecer sinais de risco entre os trabalhadores.
Prevenção não cabe em um único mês
“O cuidado com quem trabalha não cabe em um único mês”, resume Scavacini. Para ela, ações pontuais podem abrir espaço para o assunto, mas é a continuidade ao longo do ano que permite construir preparo, estrutura e respostas mais adequadas dentro da empresa.
Além de encontros conduzidos por especialistas, o Instituto Vita Alere oferece consultoria para empresas que querem tornar a prevenção ao suicídio parte da rotina de cuidado, com programas de saúde mental alinhados à realidade dos próprios trabalhadores e estrutura pensada para durar além de setembro.
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