Do Micro Ao Macro

Doomjobbing vira obstáculo na busca por emprego no Brasil; saiba o que é

Levantamento da Robert Half mostra que uso sem critério da inteligência artificial nas candidaturas gera desconfiança entre recrutadores

Doomjobbing vira obstáculo na busca por emprego no Brasil; saiba o que é
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Turnover de 40% expõe crise no recrutamento tech Turnover de 40% expõe crise no recrutamento tech
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Currículos escritos por inteligência artificial e enviados em poucos minutos para dezenas de vagas se tornaram comuns no mercado de trabalho. Essa prática recebeu um nome: doomjobbing, comportamento marcado pelo envio excessivo de candidaturas, pouca personalização e ausência de estratégia. O resultado aparece dos dois lados do processo seletivo, com frustração para quem busca emprego e mais trabalho para quem recruta.

Também nos Estados Unidos o fenômeno já chamou atenção de empresas de recrutamento. Um levantamento de 2025 da Employ, companhia de tecnologia voltada para RH, mostra que 70% dos candidatos esperam conseguir uma vaga com apenas dez candidaturas, enquanto 66% relatam esgotamento durante o processo de busca. Além disso, mais da metade dos entrevistados considera o mercado de contratações estagnado no período.

No Brasil, a consultoria Robert Half chegou a números parecidos por outro caminho. Para 66% dos gestores de contratação ouvidos pela consultoria, a IA generativa tem ampliado o volume de currículos com informações falsas ou exageradas. A tecnologia segue como aliada na busca por oportunidades, mas seu uso sem critério dificulta a identificação de profissionais qualificados e reduz as chances de quem prioriza o envio em massa.

Robert Half aponta aumento de currículos exagerados

Assim, o desafio para os recrutadores cresce junto com o número de candidaturas recebidas por vaga. Plataformas como o LinkedIn já registram esse movimento: o total de candidaturas enviadas pela rede cresceu mais de 45% entre 2024 e 2025, impulsionado pela função de candidatura simplificada e pelo uso ampliado de IA nos processos seletivos.

Ainda assim, o aumento de volume não se traduziu em mais contratações. Cerca de 37% dos candidatos afirmam estar se candidatando a mais vagas do que nunca e recebendo menos respostas das empresas, segundo dados divulgados pela própria plataforma. A lógica por trás do doomjobbing parte de uma equação simples: mais candidaturas deveriam gerar mais oportunidades. Na prática, o volume isolado raramente faz diferença.

Por outro lado, o comportamento também afeta quem já está empregado. Parte dos profissionais navega por vagas sem intenção real de se candidatar, apenas para monitorar o mercado em meio à incerteza econômica. Um relatório de 2025 da Checkr, empresa de verificação de antecedentes, ouviu três mil pessoas nos Estados Unidos e identificou que 58% consideram quase impossível conseguir uma entrevista pelas plataformas tradicionais de vagas, enquanto 62% dizem que a falta de retorno prejudicou a confiança durante a busca.

Doomjobbing reduz eficácia das candidaturas

Para os recrutadores, o excesso de candidaturas malfeitas cria um ruído difícil de filtrar. Currículos adaptados por IA tendem a repetir palavras-chave e formatações semelhantes, o que dificulta a triagem manual e sobrecarrega os sistemas automatizados de seleção. Enquanto isso, candidatos qualificados podem passar despercebidos justamente por não recorrerem ao mesmo volume de envios.

Segundo a Robert Half, uma candidatura mais direcionada tende a produzir resultado melhor do que dezenas de envios genéricos. Personalizar a carta de apresentação, ajustar o currículo para a vaga específica e revisar as informações antes do envio aparecem como caminhos para escapar do doomjobbing sem abrir mão do uso da tecnologia.

Recrutamento busca equilíbrio entre automação e avaliação humana

Do lado das empresas, o desafio passa por revisar processos de recrutamento pensados para outro volume de candidaturas. Ferramentas de triagem automática ajudam a lidar com a quantidade, mas a avaliação humana segue necessária para identificar critérios que a IA não capta, como histórico profissional consistente e adequação real à vaga.

Enquanto o mercado de trabalho segue moldado pela presença da inteligência artificial nos dois lados do processo seletivo, o equilíbrio entre eficiência tecnológica e avaliação humana aparece como caminho para reduzir os efeitos do doomjobbing tanto para quem contrata quanto para quem procura uma vaga.

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