Do Micro Ao Macro
Incerteza, estagnação, pressão para se atualizar: estudo revela dilema enfrentado por profissionais brasileiros
Pesquisa aponta que incerteza, estagnação e atualização constante formam o principal dilema vivido pelos profissionais brasileiros em 2026.
Incerteza sobre os próximos passos, sensação de estagnação, pressão para se atualizar e sobrecarga definem o dilema enfrentado pelos profissionais brasileiros em 2026. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Conquer com trabalhadores de diferentes áreas e regiões do país.
O levantamento foi divulgado junto ao lançamento do “Mapa de Carreira”, diagnóstico estruturado desenvolvido pela escola para avaliar maturidade profissional e indicar planos de ação personalizados. O objetivo foi identificar os obstáculos que mais limitam o crescimento nas empresas e as metas traçadas para o próximo ciclo profissional.
Segundo os entrevistados, a percepção de que é preciso avançar continuamente está associada a três fatores principais: os avanços recentes da inteligência artificial, citados por 47% como fonte de preocupação; a exigência crescente por novas qualificações, mencionada por 40%; e a redução de vagas combinada ao aumento da concorrência, apontada por 31,8%.
Dilema entre estabilidade e incerteza
Os dados indicam que a estabilidade profissional ainda é restrita. Apenas 30,6% dos participantes afirmaram se sentir seguros e estáveis no trabalho em 2026, sem necessidade imediata de aperfeiçoamento ou mudança de rota.
Outro grupo, equivalente a 34,2%, declarou estar satisfeito com a posição atual, mas reconhece a necessidade de evolução diante de um mercado mais exigente. Já 12,2% convivem com incerteza constante sobre os próximos passos, enquanto 6,6% relatam sobrecarga e 6,4% apontam estagnação na carreira. A pressão direta para se atualizar ou mudar de área aparece para 5% dos respondentes.
Atualização como resposta ao dilema
Diante desse cenário, a reação mais comum tem sido investir em capacitação. Em 2025, 61,2% dos entrevistados realizaram algum curso ou treinamento com o objetivo de avançar profissionalmente. Outros buscaram assumir novas responsabilidades no trabalho, estratégia citada por 31,6%, ou ampliar networking e participação em eventos, opção de 29,8%.
Mentorias, consultorias e orientações profissionais também ganharam espaço. Três em cada dez profissionais recorreram a esse tipo de apoio no último ano. Entre eles, 63,9% afirmaram ter identificado novas competências e 52,3% relataram maior segurança para tomar decisões.
Para Juliana Alencar, a dificuldade de avançar na carreira costuma estar ligada à falta de clareza. Segundo ela, o Mapa de Carreira foi desenvolvido para apoiar o autoconhecimento profissional, permitindo identificar pontos de bloqueio e habilidades a desenvolver, com base em um método próprio já aplicado a mais de 5 milhões de alunos.
Metas profissionais para 2026
O início do ano aparece como momento de revisão e planejamento. Entre os entrevistados, 33,4% indicaram que crescer ou ser promovido será a principal meta em 2026. O investimento em cursos e capacitações surge logo em seguida, citado por 31,8%.
O desejo de empreender ou trabalhar por conta própria também aparece com destaque, alcançando 14,2%. Esse movimento acompanha a dinâmica do mercado. Dados do Sebrae mostram que o número de microempreendedores individuais cresceu 35% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto micro e pequenas empresas avançaram 28%.
Competências no radar dos profissionais
Para viabilizar essas metas, os entrevistados reconhecem a necessidade de desenvolver competências específicas. Liderança foi citada por 34,4%, seguida por inovação, com 30,4%, e visão estratégica, mencionada por 30,2%. A inteligência emocional aparece para 29,2%, associada à capacidade de lidar com decisões complexas, relações profissionais e cenários de adaptação.
Metodologia
A pesquisa ouviu 500 adultos, maiores de 18 anos, residentes em todas as regiões do país e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais. O questionário contou com sete perguntas sobre satisfação profissional, obstáculos, competências em falta e objetivos para o ano.
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