Do Micro Ao Macro
Contratar ou promover? Como decidir sem sobrecarregar o time diante da escassez de talentos
Diretora de RH do ManpowerGroup explica como mapear competências, evitar pressão sobre equipes e preparar funcionários para as habilidades do futuro
A decisão de promover um funcionário ou abrir uma vaga no mercado tem deixado de ser uma escolha pontual e virou peça central da gestão de pessoas no Brasil. Com a escassez de profissionais qualificados batendo à porta das empresas, o caminho escolhido pode aliviar ou sobrecarregar o time, com impacto direto nos custos e na entrega do negócio.
O cenário pressiona o RH. Segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos do ManpowerGroup, 80% das empresas brasileiras relatam dificuldade em encontrar profissionais com as competências necessárias em 2026. Para enfrentar o problema, 44% investem em requalificação dos próprios trabalhadores e 25% buscam novos canais de captação no mercado.
Por isso, a escolha entre desenvolver quem já está na casa ou contratar de fora exige mais do que feeling. Mapeamento de competências, identificação de lacunas e clareza sobre as habilidades exigidas nos próximos anos viraram pré-requisito para acertar o movimento.
Decisões de urgência cobram caro do time
Sem essa visibilidade, as decisões tendem a seguir demandas imediatas. O resultado costuma vir na forma de adaptação lenta, pressão sobre as equipes e custos extras na operação.
Wilma Dal Col, diretora de Recursos Humanos do ManpowerGroup, descreve o gargalo. “A ausência de clareza sobre o potencial do time leva a decisões de promoção ou contratação tomadas por urgência, sem o respaldo de um planejamento estruturado”, afirma.
A executiva chama atenção para os dois lados da balança. “Os dois movimentos têm custo alto, seja na sobrecarga de quem assume uma função sem o devido preparo, seja no investimento para integrar alguém externo que poderia ser desenvolvido internamente”, complementa Wilma.
Quando vale promover quem já está na casa
A movimentação interna tende a ser mais eficiente quando há proximidade entre as competências atuais do profissional e as exigências da nova função. Potencial de desenvolvimento no curto prazo também conta a favor da decisão.
Promover de dentro contribui para retenção, engajamento e preservação do conhecimento institucional. O movimento mantém na empresa o repertório acumulado por quem já conhece processos, clientes e cultura interna.
Por outro lado, quando o passo é dado sem preparo adequado, o efeito se inverte. A nova função pode gerar sobrecarga e comprometer o desempenho individual e do time, abrindo espaço para frustração e até desligamento de quem foi promovido.
Quando contratar de fora se torna o melhor caminho
A contratação externa ganha peso em situações específicas. Lacunas mais profundas no quadro atual ou necessidade de competências ausentes na empresa abrem espaço para a busca no mercado.
Esse caminho costuma ser inevitável em áreas afetadas por avanços tecnológicos ou mudanças bruscas no setor. Inteligência artificial, ciência de dados e cibersegurança figuram entre as frentes em que o tempo de formação interna tende a ser maior do que o ritmo das demandas do negócio.
O desafio, nesses casos, está na integração do novo profissional ao contexto da organização. Reduzir fricções e acelerar a adaptação pesa tanto quanto a escolha técnica do candidato no momento da contratação.
Dados ajudam a antecipar a decisão
Empresas têm recorrido a modelos baseados em dados para orientar a escolha entre desenvolver e contratar. Ferramentas de people analytics, avaliações de potencial e planos de desenvolvimento individual mapeiam necessidades e direcionam investimentos com mais precisão.
O ponto central, no entanto, não está apenas em dispor da tecnologia. O mapeamento precisa estar pronto antes que a urgência chegue à mesa do gestor.
Manter os perfis do time atualizados, identificar as lacunas e desenhar com clareza o que se espera de cada função permite resposta rápida quando surge uma vaga ou abre-se a possibilidade de promover alguém. Sem esse trabalho prévio, o RH parte sempre do zero.
“A decisão entre contratar ou promover não é simples, mas fica substancialmente mais ágil quando a empresa não precisa começar do zero a cada vez que o assunto chega à mesa. Quando se entende quais competências serão críticas nos próximos anos, isso se torna parte da estratégia do negócio, reduzindo riscos, otimizando recursos e preparando o time para sustentar o crescimento”, avalia Wilma.
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