Do Micro Ao Macro

200 mil vagas temporárias na Copa expõem o que as empresas ignoram na hora de contratar

Da checagem documental à análise de antecedentes, admissões em massa durante eventos de grande porte concentram fragilidades que custam caro depois.

200 mil vagas temporárias na Copa expõem o que as empresas ignoram na hora de contratar
200 mil vagas temporárias na Copa expõem o que as empresas ignoram na hora de contratar
Da checagem documental à análise de antecedentes, admissões em massa durante eventos de grande porte concentram fragilidades que custam caro depois. Copa 2026: os riscos das contratações temporárias
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A Copa do Mundo de 2026 deve criar até 200 mil contratações temporárias no Brasil, segundo estimativas da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (ASSERTTEM). O volume, concentrado em logística, varejo e serviços, vai acelerar processos de admissão e pressionar as áreas responsáveis por contratar e validar profissionais em pouco tempo.

O problema, segundo especialistas, não está na velocidade das admissões em si. Está no que fica de fora quando a pressa domina o processo.

Velocidade sem critério aumenta exposição

Dielson Haffner, head de vendas corporativas da Netrin, empresa especializada em gestão de riscos de terceiros, aponta que períodos de pico revelam fragilidades que passam despercebidas em momentos de menor pressão.

“Em períodos de pico, muitas empresas acabam priorizando velocidade e disponibilidade imediata de mão de obra. O problema é que decisões tomadas sem critérios mínimos de validação aumentam significativamente a exposição a fraudes de identidade, inconsistências cadastrais, passivos trabalhistas e riscos reputacionais”, afirma.

Entre as falhas mais frequentes em contratações emergenciais estão problemas na validação documental, ausência de critérios padronizados de análise e baixa integração entre RH, compliance e jurídico. A falta de monitoramento após a admissão completa o quadro.

Contratações temporárias pedem fluxo mínimo de diligência

Para Haffner, o desafio deixou de ser apenas contratar rápido. O objetivo passou a ser escalar admissões mantendo rastreabilidade e conformidade.

“A automatização das etapas de validação reduz gargalos operacionais e melhora a consistência das decisões. Isso inclui confirmação de dados cadastrais, validação documental, verificação de regularidade quando aplicável e análises proporcionais ao nível de exposição da função”, explica o executivo.

Ele destaca que processos com algum nível de estrutura não precisam ser mais lentos. O oposto, diz, é o que acontece na prática: fluxos mínimos de controle tendem a reduzir retrabalho e evitar custos maiores no médio prazo.

Antecedentes criminais têm regras específicas

Um ponto de atenção nas contratações temporárias em massa envolve a verificação de antecedentes criminais. Haffner alerta que esse tipo de consulta não pode ser aplicado de forma genérica.

“Existe entendimento consolidado do Tribunal Superior do Trabalho no sentido de que esse tipo de análise não pode ser aplicado de maneira indiscriminada. A avaliação precisa estar vinculada à natureza da atividade exercida e aos riscos efetivamente envolvidos”, diz.

Na prática, funções ligadas à segurança patrimonial, transporte de cargas de alto valor, operação de ferramentas perigosas ou atividades com alto grau de confiança operacional são aquelas que costumam exigir controles adicionais.

O que as empresas devem estruturar antes da Copa

Haffner recomenda que as empresas definam políticas padronizadas para análise e classificação de riscos antes do pico de contratações temporárias. A integração entre RH, Compliance, Jurídico e Operações no fluxo de decisão é apontada como passo necessário.

Usar fontes confiáveis para validações cadastrais, aplicar verificações proporcionais ao risco de cada função e garantir documentação adequada de todas as admissões completam as recomendações.

“A combinação entre velocidade e controle tende a se tornar um diferencial competitivo nos próximos anos. Empresas que conseguem escalar operações mantendo governança reduzem retrabalho, evitam exposição desnecessária e aumentam previsibilidade operacional”, afirma o executivo.

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