Do Micro Ao Macro
Consumidor maduro redefine decisões no varejo alimentar
Público acima dos 40 anos amplia influência nas compras de alimentos e pressiona redes por organização, clareza, saudabilidade e conveniência
Os consumidores acima dos 40 anos ampliaram participação nas decisões de compra no varejo alimentar em 2026. Esse grupo passou a influenciar padrões de qualidade, atendimento, saudabilidade e conveniência. O consumidor maduro reúne autonomia financeira, repertório de consumo e maior rigor na avaliação das experiências de compra.
Ao mesmo tempo, esse público não se reconhece nos recortes tradicionais de idade. No debate internacional, perfis associados a conceitos como NOLTS e NOLDS descrevem consumidores que rejeitam estereótipos etários, mantêm autonomia e utilizam tecnologia de forma pragmática.
Segundo o relatório Voz do Consumidor 2025, da PwC, sete em cada dez brasileiros usam recursos digitais para planejar compras de alimentos. O dado inclui o consumidor maduro e indica maior peso da organização e da conveniência na jornada de compra.
Já levantamentos da Kantar mostram que lares acima dos 40 anos foram os que menos reduziram consumo diante da inflação. Esse público preservou compras frequentes e manteve prioridade por perecíveis frescos. Em paralelo, estudo baseado em 89 milhões de transações do varejo alimentar em 2025, conduzido pela Rock Encantech, aponta que o consumidor maduro é o mais exigente em organização da loja, clareza de informações e qualidade do atendimento.
Maturidade de consumo orienta decisões
Para Américo José, sócio-diretor da Cherto Consultoria, a maturidade de consumo explica esse comportamento. “É um público que compara, avalia e decide com segurança. A discussão não passa por idade, passa por experiência de consumo”, afirma.
Além disso, o consumidor maduro apresenta maior tolerância a preço quando identifica coerência entre oferta, apresentação e atendimento. A fidelização ocorre quando a loja entrega previsibilidade e respeito à jornada de compra.
Categorias ganham novo peso no varejo
Essa mudança já afeta o mix de produtos. Hortifruti, proteínas frescas, orgânicos, itens funcionais e produtos de maior valor percebido ampliam participação. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por porções menores e kits prontos, reflexo de lares compostos por uma ou duas pessoas.
No ponto físico, organização visual, iluminação adequada e fluxo claro voltam a ter peso direto na decisão de retorno à loja. O consumidor maduro avalia o ambiente como parte do produto.
Tecnologia sem fricção orienta a jornada
Na relação com tecnologia, o uso é seletivo. O consumidor maduro utiliza aplicativos, faz pedidos por WhatsApp e retira compras na loja. O fator de rejeição não está no digital, mas no excesso de etapas e na falta de suporte humano. Soluções tecnológicas precisam reduzir atrito e facilitar escolhas.
Como preparar o varejo para o consumidor maduro
A partir de pesquisas e da experiência em campo, a Cherto Consultoria aponta diretrizes para redes que buscam ampliar frequência e fidelização desse público.
Priorizar perecíveis bem apresentados
Frescor, variedade e exposição seguem como indicadores de qualidade percebida.
Ampliar oferta de saudabilidade
Produtos integrais, funcionais e orgânicos dialogam diretamente com o consumidor maduro.
Simplificar navegação na loja
Sinalização legível, corredores organizados e comunicação direta reduzem ruído na compra.
Adotar tecnologia funcional
Aplicativos intuitivos, retirada rápida e atendimento acessível aumentam adesão ao digital.
Ajustar embalagens ao perfil dos lares
Porções menores e kits prontos acompanham mudanças no tamanho das famílias.
Capacitar equipes para orientação
O consumidor maduro busca clareza e respeito durante o atendimento.
Planejar ambientes para permanência
Iluminação, organização e fluxo coerente reforçam percepção de cuidado e previsibilidade.
O consumidor maduro seguirá ampliando influência no varejo alimentar. Redes que compreendem esse padrão de decisão tendem a ganhar recorrência e estabilidade de demanda nos próximos anos.
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