Do Micro Ao Macro
Confiança vira maior obstáculo da IA nos processos seletivos de empresas, mostra pesquisa
Pesquisa do Indeed mostra que candidatos aceitam a inteligência artificial na seleção, mas exigem participação humana nas decisões finais
Mais da metade dos brasileiros, 57%, apoia o uso da inteligência artificial em processos seletivos, mas isso não significa confiança total na tecnologia. É o que aponta uma pesquisa do Indeed, site de empregos com maior audiência do mundo.
Segundo o levantamento, os candidatos reconhecem que a IA pode deixar o recrutamento mais rápido, mas continuam preferindo que pessoas tomem as decisões que afetam suas carreiras.
Entre os entrevistados, 44% temem ser eliminados automaticamente sem uma avaliação justa. Outros 42% se preocupam com a redução do contato humano durante a seleção, e 37% receiam que a tecnologia erre ao avaliar candidatos.
Por outro lado, metade dos trabalhadores, 50%, afirma que confiaria mais em um processo se a decisão final de contratação envolvesse participação humana. Já 41% querem que as empresas informem quais etapas são conduzidas por inteligência artificial e quais ficam sob responsabilidade dos recrutadores. Outros 34% dizem querer entender como a tecnologia é usada ao longo da seleção.
Lucas Rizzardo, diretor de vendas do Indeed no Brasil, afirma que os números mostram uma mudança na discussão sobre o tema. “Os dados mostram que eficiência, sozinha, já não basta. À medida que a IA ganha espaço no recrutamento, cresce também a expectativa dos candidatos por processos mais transparentes”, diz.
Para o executivo, a adoção da tecnologia exige cuidado por parte das empresas. “Isso significa que a adoção da inteligência artificial precisa vir acompanhada de boas práticas, deixar claro onde a tecnologia é utilizada, manter os recrutadores envolvidos nas decisões mais sensíveis e comunicar os critérios de avaliação ao longo da seleção. Esse equilíbrio é o que ajuda a construir confiança”, completa Rizzardo.
Debate deixa de ser sobre adoção da IA
A pesquisa mostra que a discussão já não gira em torno de ser contra ou a favor da inteligência artificial. Entre os próprios entrevistados que dizem não apoiar o uso da IA pelas empresas, 57% usam a tecnologia em ao menos uma etapa da própria busca por emprego.
Apenas 24% acreditam que a inteligência artificial não deveria participar de nenhuma fase do recrutamento. E 76% aceitam algum nível de participação da IA no processo, sobretudo em tarefas operacionais.
O apoio cai, porém, quando a tecnologia passa a decidir sozinha. Apenas 6% dos entrevistados aceitam que a inteligência artificial seja responsável pela decisão final de contratação.
Rizzardo resume o comportamento dos candidatos em uma frase. “Os resultados indicam que a resistência não está necessariamente na tecnologia, mas na autonomia que ela deve ter durante o recrutamento. Para muitos, a IA é bem-vinda quando serve para aumentar a eficiência do processo, desde que o julgamento humano continue presente nos momentos decisivos”, completa.
Confiança pesa também no futuro do trabalho
As preocupações dos brasileiros com a inteligência artificial vão além do recrutamento. Para os entrevistados, a tecnologia deve provocar mudanças no mercado de trabalho nos próximos anos.
Entre os principais impactos esperados estão a redução de empregos em algumas áreas, citada por 36%, o aumento da dependência da tecnologia nas atividades profissionais, apontado por 35%, e a necessidade de qualificação para acompanhar as mudanças trazidas pela IA, mencionada por 30%.
Para o Indeed, esse cenário amplia o debate sobre a forma como a tecnologia entra nas relações de trabalho. À medida que ferramentas de IA ganham espaço no recrutamento e na rotina profissional, transparência, comunicação clara e participação humana passam a pesar cada vez mais na confiança dos trabalhadores.
A pesquisa ouviu 1.014 trabalhadores brasileiros por meio de questionário online aplicado em 27 de maio de 2026. A amostra teve 52% de mulheres e 48% de homens, distribuídos entre as gerações Z, Millennials, X e Baby Boomers.
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