Do Micro Ao Macro

Burocracia financeira consome 97 milhões de horas das PMEs por semana

Pesquisa da Conta Simples mostra que pequenas e médias empresas gastam 21 horas semanais com pagamentos e controle de despesas

Burocracia financeira consome 97 milhões de horas das PMEs por semana
Burocracia financeira consome 97 milhões de horas das PMEs por semana
Burocracia leva um terço das micro e pequenas indústrias à informalidade
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Pequenas e médias empresas brasileiras perdem, juntas, cerca de 97 milhões de horas por semana com burocracia financeira. O número é uma projeção do 2º Panorama da Gestão de Despesas Corporativas, levantamento da fintech Conta Simples em parceria com a Visa, e parte de uma média de 21 horas semanais dedicadas por cada PME a tarefas como pagamentos e controle de despesas. Aplicada ao universo de 4,5 milhões de PMEs formais no país, a conta resulta em um volume de horas que deixa de ser usado em vendas, expansão e planejamento.

Por trás do número está um problema estrutural: quanto mais a empresa cresce, mais tempo a gestão administrativa exige dela. Ainda assim, parte significativa do setor resiste à digitalização. Segundo levantamento anterior da própria fintech, 39% das micro, pequenas e médias empresas usam recursos manuais, como cadernos, para controlar despesas. Na prática, equipes financeiras passam boa parte da semana fazendo lançamentos, aprovações descentralizadas e conferência de comprovantes, rotina que reduz o tempo disponível para planejamento.

Rodrigo Tognini, CEO da Conta Simples, descreve o cenário mais comum entre seus clientes: “Grande parte das PMEs ainda opera com processos fragmentados, usando ferramentas diferentes para controlar despesas, realizar pagamentos e acompanhar o fluxo de caixa. Isso gera retrabalho, aumenta o risco de erros e toma um tempo precioso das equipes.” Segundo ele, a automação muda a função do setor financeiro dentro da empresa: “Quando a empresa automatiza essas tarefas, o financeiro para de ser só uma área de controle e passa a contribuir de verdade para o crescimento.”

Agentes de IA entram em cena

Depois de uma década de digitalização de processos financeiros, a próxima etapa das PMEs deve envolver agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas sem supervisão constante. O movimento segue uma tendência mais amplo no ambiente corporativo: de acordo com o Work Trend Index 2026, conduzido por Microsoft e LinkedIn, 58% dos usuários de IA afirmam produzir trabalhos que não conseguiriam criar há um ano. No Brasil, esse percentual sobe para 72%.

Com agentes assumindo tarefas repetitivas e operacionais, a expectativa do setor é que profissionais concentrem esforços em análise, planejamento e decisões de maior impacto. A diferença em relação à automação tradicional está na execução: em vez de apenas organizar dados ou acelerar processos, os agentes passam a atuar diretamente nas tarefas, reduzindo a carga administrativa das equipes financeiras.

Para Tognini, essa fase representa uma mudança de patamar para o setor: “Os agentes de IA representam um dos momentos mais importantes da próxima fase da inovação corporativa. Mais do que automatizar tarefas, eles ampliam a capacidade operacional das empresas com segurança e rastreabilidade. As PMEs que conseguirem equilibrar inovação e segurança estarão melhor posicionadas para competir nos próximos anos.”

Conta Simples lança ferramenta própria

Diante desse movimento, a Conta Simples lançou o “Faça Seu Agente”, recurso que permite a empresas criar agentes de inteligência artificial dedicados a tarefas financeiras dentro de parâmetros definidos pelos próprios usuários. A proposta é simplificar rotinas operacionais e reduzir o tempo gasto com processos burocráticos.

Segundo estimativas da fintech, a ferramenta pode gerar economia de até 120 horas semanais em atividades financeiras por empresa, tempo que passaria a ser direcionado para planejamento, análise e tomada de decisão.

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