Do Micro Ao Macro

O que elas querem? Pesquisa inédita aponta o que as mulheres desejam no trabalho

Pesquisa da Consultoria Maya mostra que independência financeira supera saúde, carreira e vida amorosa entre prioridades das mulheres.

O que elas querem? Pesquisa inédita aponta o que as mulheres desejam no trabalho
O que elas querem? Pesquisa inédita aponta o que as mulheres desejam no trabalho
Pesquisa revela que o maior desejo delas é ter autonomia financeira Pesquisa revela que o maior desejo delas é ter autonomia financeira
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A autonomia financeira aparece como principal objetivo das mulheres brasileiras no trabalho, segundo levantamento da Consultoria Maya divulgado no Dia Internacional da Mulher. A pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho 2026 mostra que 37,3% das entrevistadas apontam a independência financeira como maior desejo no momento.

Em seguida aparecem saúde mental e física, com 31,1%. Depois surgem realização profissional, com 23,2%, e realização amorosa, citada por 7,9% das participantes.

O estudo foi realizado com apoio da empresa de educação corporativa Koru. Cerca de 200 profissionais responderam ao questionário de forma espontânea.

Autonomia financeira e carreira

A pesquisa ouviu mulheres cis, trans e pessoas não binárias em todo o país. O levantamento também mostra que a maioria ocupa posições intermediárias nas empresas.

Entre as entrevistadas, 19,8% atuam como analistas e 12,4% em cargos iniciais. Apenas 5,6% são diretoras e 0,6% ocupam posições C-level.

Além disso, 42% afirmam que permaneceram no mesmo cargo nos últimos dois anos. Já 29,5% disseram ter recebido promoção nesse período. Há ainda 2,3% que relatam ter sido preteridas em processos de promoção.

Paola Carvalho, diretora da Consultoria Maya, afirma que a busca por independência financeira envolve liberdade de escolha na vida profissional.

“Autonomia financeira é condição para liberdade de escolha, como escreveu Virginia Woolf em ‘Um Teto Todo Seu’. Significa decidir carreira, preservar a saúde e recusar ambientes tóxicos”, afirma.

Oportunidades e percepção no mercado

Os dados mostram que parte das entrevistadas percebe diferença de oportunidades em relação aos homens. Para 53,2%, mulheres não têm as mesmas chances de crescimento nas empresas.

Outras 29,5% dizem que as oportunidades existem de forma parcial. Já 18,2% afirmam enxergar igualdade nas possibilidades de avanço profissional.

Ambiente de trabalho das mulheres

A pesquisa também investigou experiências vividas no trabalho. Entre as entrevistadas, 72,9% afirmam já ter enfrentado algum tipo de preconceito por serem mulheres.

Além disso, 39,8% disseram que já pensaram em deixar o emprego por questões ligadas ao ambiente de trabalho ou a gênero.

Entre os episódios relatados estão comentários sexistas (56,8%), comentários sobre aparência (52,8%) e interrupções frequentes em reuniões (52,3%).

Também aparecem relatos de apropriação de ideias por colegas (48,3%) e questionamentos sobre capacidade técnica (45,5%).

Desafios para mulheres no mercado de trabalho

Quando perguntadas sobre os principais desafios enfrentados pelas mulheres, a maioria citou a conciliação entre carreira e cuidados com filhos ou família.

Esse fator foi indicado por 49,2% das participantes. O dado se relaciona ao fato de que 59,1% das entrevistadas são mães.

Outros desafios apontados incluem saúde mental (20,9%), falta de reconhecimento por lideranças (14,1%), diferença salarial em relação aos homens (7,9%) e situações de abuso físico ou psicológico (6,8%).

Raissa Florence, cofundadora e diretora de Novos Negócios da Koru, afirma que a permanência das mulheres no mercado ainda envolve obstáculos.

“Em muitos momentos, o desgaste não vem só da carga de trabalho. Há também a necessidade constante de provar capacidade profissional. Quando isso se soma à maternidade, o esforço exigido das mulheres aumenta”, afirma.

Relatos revelam experiências no trabalho

A pesquisa abriu espaço para relatos anônimos sobre situações vividas no ambiente corporativo.

Um dos depoimentos afirma que uma candidata deixou de ser escolhida para uma vaga, mesmo atendendo aos requisitos técnicos. A justificativa apresentada foi preferência por um homem para atuar no chão de fábrica.

Outro relato menciona questionamentos sobre a capacidade de assumir um cargo. Em uma das conversas, a funcionária afirma ter sido orientada a discutir a decisão com o marido antes de aceitar a posição.

Há também relatos de desvalorização no ambiente corporativo. Uma participante disse ter sido chamada de “menina do marketing”, mesmo após anos de trabalho na empresa.

Outro depoimento descreve experiência em uma plataforma offshore, onde a entrevistada afirma ter exercido as mesmas funções que colegas homens, com salário menor. Segundo o relato, uma promoção chegou a ser prometida, mas não foi formalizada porque a liderança acreditava que trabalhadores homens teriam dificuldade em receber orientações de uma mulher.

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