Do Micro Ao Macro
Automação nas empresas começa pelo mais fácil, e perde os maiores ganhos
Crédito e compras concentram retorno financeiro mais alto, mas ficam fora da fila de prioridades enquanto empresas automatizam o que é mais simples de implementar
A automação de processos nas empresas brasileiras segue uma lógica que não necessariamente maximiza resultados. A maior parte das iniciativas começa por onde é mais fácil, não por onde o impacto financeiro é maior, e essa escolha tem um custo mensurável.
Dados de projetos conduzidos pela Roboteasy, empresa brasileira do setor, mostram o que fica de fora quando a prioridade é a conveniência. A automação da análise de crédito gerou economia de R$ 342 mil em dez meses, com retorno do investimento em menos de dois meses. Na área de compras, o ganho chegou a R$ 589 mil no mesmo período.
Onde a fila começa na automação de processos
As primeiras áreas a receber atenção costumam ser financeiro e fiscal. A lógica é conhecida: tarefas repetitivas, regras bem definidas, menor risco operacional. Processos como contas a pagar, conciliações bancárias e emissão de notas fiscais são mais simples de mapear e implementar, o que os coloca no topo da fila.
O problema, como aponta Daniel Torres, CEO da Roboteasy, é que facilidade de execução e impacto no resultado raramente coincidem. “Existe uma tendência de priorizar o que é mais simples de automatizar, mas isso nem sempre está conectado ao que mais impacta o resultado. Quando a automação avança para processos mais próximos do core do negócio, o ganho deixa de ser apenas operacional e passa a influenciar diretamente decisão, risco e eficiência”, afirma.
Crédito e compras ficam para depois
Análise de crédito e compras concentram ganhos maiores, mas ficam fora das primeiras rodadas de automação de processos. A razão é estrutural: essas áreas dependem mais de decisões manuais, acumulam exceções e carregam conhecimento disperso entre pessoas, o que eleva a percepção de risco e retarda a adoção.
Na análise de crédito, automatizar traz consistência nas decisões e redução de risco. Em compras, o impacto aparece na padronização de cotações, no controle de fornecedores e na eliminação de desperdícios. São ganhos que vão além da execução de tarefas, mas exigem mais esforço para chegar lá.
O custo de evitar a integração
Outro fator que limita o alcance da automação de processos é a escolha por implementações mais isoladas, com menor dependência de integração entre sistemas. Essa opção reduz a complexidade inicial, mas deixa intocada boa parte da ineficiência real, que mora justamente nas falhas de integração, no retrabalho e na duplicidade de dados.
Torres aponta para onde o ciclo tende a levar. “À medida que a automação avança para processos mais integrados, o impacto deixa de se restringir à execução de tarefas e passa a influenciar a forma como a operação é estruturada, com efeitos diretos sobre escala, controle e previsibilidade”, complementa o executivo.
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