Do Micro Ao Macro
Apostas em bets devoram salários e só 19% dos jogadores enxergam diversão na atividade
Levantamento mostra que maioria dos brasileiros encara bets como investimento, e mercado tenta reverter percepção que compromete salário do trabalhador
Novos dados acendem o alerta sobre a saúde financeira do assalariado brasileiro. Levantamento do Statista Customer Insights 2025 indica que apenas 19% dos apostadores consultados, em um universo estimado de 22,1 milhões de pessoas, encaram as bets como entretenimento. A maioria mantém a expectativa de obter retorno financeiro com a prática, comportamento que aproxima as apostas de um produto de investimento, embora a lógica seja oposta.
Apostas confundem o consumidor com linguagem de banco
A confusão começa no próprio vocabulário usado pelas operadoras de apostas. Termos como “depósito“, “saque” e “saldo” descrevem corretamente as transações dentro das plataformas, mas reproduzem o glossário do sistema bancário e induzem o consumidor inexperiente a uma leitura equivocada.
Por isso, é compreensível, segundo Costa, site manager do AskGamblers, que parte considerável dos jogadores enxergue na bet uma extensão da poupança ou do investimento de baixo risco, quando o produto opera em direção contrária.
“Só que, na verdade, a lógica da bet se parece mais à de um porta-comandas de restaurante. Você coloca ali o valor para pagar o que você vai consumir, lembrando que o lucro está embutido independentemente de você gostar ou não do prato servido”, compara a especialista.
Além do choque com o prejuízo, o comportamento do consumidor começa a mudar. Dados da ferramenta de monitoramento Ahrefs apontam que a procura pelo termo “bets confiáveis” cresceu 311% nos últimos doze meses, segundo o informativo A Transição de Apostador para Consumidor, produzido pelo Observatório de Dados do AskGamblers.
O movimento se reflete também nos critérios de escolha das plataformas. Ainda de acordo com o Statista Customer Insights 2025, 52% dos usuários colocam o “saque rápido” no topo da lista de prioridades, à frente de fatores como bônus generosos, citados por 29% dos respondentes.
Em outras palavras, a confiança na devolução do dinheiro virou a moeda mais valiosa do mercado, posição que historicamente pertenceu às promoções e aos prêmios de boas-vindas.
Outro recorte da mesma pesquisa mostra que 29% dos usuários procuram ativamente ferramentas para definir limites pessoais de gasto, e 34% manifestam preocupação direta com o risco de desenvolver vício.
Esse conjunto coloca a sensibilização sobre a ludopatia, transtorno do jogo reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, como um dos pilares de operação no setor.
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