Do Micro Ao Macro
9% das empresas brasileiras já operam mais de 100 agentes de IA, aponta pesquisa
Estudo da Jitterbit com 501 executivos de TI no Brasil revela que o país lidera a adoção em escala global e planeja dobrar o ritmo de implementação até 2027
O Brasil já opera mais agentes de IA por empresa do que Estados Unidos e Reino Unido, e está longe de desacelerar. Levantamento da Jitterbit em parceria com a consultoria Censuswide ouviu 501 tomadores de decisão de TI distribuídos pelas cinco regiões do país e revelou que 9% das organizações brasileiras já trabalham com mais de 100 agentes de IA ativos, percentual que deve saltar para 14,2% no próximo ano.
A média atual é de 32 agentes por empresa. A projeção para 2027 é de 42. Nos EUA, apenas 2% das companhias chegaram à marca dos 100 agentes. No Reino Unido, o índice fica em 3,4%.
Escala e velocidade
O ritmo de adoção chama atenção pela intensidade. Mais de 80% das organizações brasileiras planejam ampliar os orçamentos para iniciativas de IA e automação nos próximos 12 meses. Entre as que devem aumentar os investimentos, aumentos de dois dígitos são esperados como padrão , e 20% preveem crescimento acima de 25% nas duas frentes.
A distribuição também muda de perfil. Hoje, 22,8% das empresas operam entre 1 e 5 agentes de IA. Esse grupo deve encolher para 11% no próximo ano, enquanto o intervalo de 51 a 100 agentes passa de 16,8% para 22,2% das organizações.
A IDC projeta que o número total de agentes ativos no mundo ultrapasse 1 bilhão até 2029.
Onde os agentes geram mais valor
A área de TI, incluindo criação de código, lidera a geração de valor de negócio a partir de agentes de IA no Brasil, com 63,1% das empresas apontando esse segmento. Atendimento ao cliente (42,7%) e marketing (42,5%) completam o pódio.
O dado contrasta com o cenário global. No Reino Unido, apenas 42,7% das empresas indicam TI como área de maior retorno dos agentes. Nos EUA, o índice é de 52,2%.
Para os próximos 12 meses, aumentar a produtividade dos desenvolvedores lidera a lista de objetivos das empresas brasileiras com IA (49,3%), seguido por acelerar o time to market de produtos e serviços (46,9%) e melhorar a segurança e a governança dos fluxos de dados (40,7%).
Segurança antes da velocidade
A maturidade do mercado brasileiro aparece também nos critérios de compra. Para 59,3% dos entrevistados, a responsabilidade da IA, que envolve segurança, auditabilidade, rastreabilidade e diretrizes de uso, é o fator mais importante na hora de escolher ferramentas. A velocidade de implementação, o chamado time to value, ocupa o segundo lugar, com 49,7%.
O peso dado à governança é ainda mais acentuado na região Sul, onde mais de três quartos dos respondentes apontaram esse critério como o principal.
Agentes pré-configurados na dianteira
Quando o assunto é o método preferido para criar e implementar agentes, a maioria dos executivos opta por aplicativos SaaS com IA embarcada ou pré-configurada (35,1%). As plataformas low-code e no-code aparecem logo atrás, com 30%.
Um dado fora do padrão chama atenção: mais de 1 em cada 5 executivos brasileiros afirmaram preferir plataformas de vibe-coding, como o Lovable, para construir agentes. O índice supera o do Reino Unido (19,6%) e dos EUA (15,6%).
Gargalos operacionais, não orçamento
Os obstáculos para avançar do piloto à produção em escala têm pouco a ver com dinheiro. Apenas 17,8% das empresas citaram o orçamento como impedimento, o menor índice entre todos os fatores listados na pesquisa.
O principal gargalo apontado foi segurança e conformidade (42,1%), seguido por complexidade de processos (36,5%), integração com sistemas legados (36,1%) e falta de recursos qualificados (35,7%).
Ainda assim, o Brasil registrou o maior percentual de empresas que já superaram a fase-piloto e colocaram projetos em produção: 5,2%, contra 1% nos EUA.
ROI e otimismo
A taxa de fracasso dos projetos de automação com IA no Brasil é de 3,6% — superior à do Reino Unido (1,2%) e dos EUA (2,8%), reflexo do ritmo mais agressivo de adoção. Mesmo assim, 31,1% das empresas já relatam alto retorno financeiro sobre os investimentos realizados, e outros 38,9% observam ganhos de eficiência operacional, ainda à espera da materialização completa do ROI.
O otimismo é o dado mais expressivo: 43,1% dos entrevistados brasileiros esperam alto retorno nos próximos 12 meses, quase 10 pontos percentuais acima das outras regiões analisadas. Os agentes de IA saíram da fase de experimento e passaram a responder por decisões reais dentro das organizações — e as empresas brasileiras, pelos números, estão entre as que mais apostam nessa mudança.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Por que grandes empresas estão trocando chatbots por agentes de IA
Por Do Micro ao MacroAfinal, para o que é a Moltbook, a rede social para agentes de IA?
Por Toque Tec



