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Acidentes de trabalho atingem mais de 180 mil motoristas e entregadores de aplicativos

Levantamento do MPT e da OIT mostra que afastamentos por acidente cresceram entre motoristas e entregadores de aplicativos no país

Acidentes de trabalho atingem mais de 180 mil motoristas e entregadores de aplicativos
Acidentes de trabalho atingem mais de 180 mil motoristas e entregadores de aplicativos
Créditos: Fernando Frazão / Agência Brasil
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Mais de 2 milhões de pessoas vivem hoje do trabalho por aplicativos no Brasil, entre motoristas, entregadores e outros prestadores de serviço mediados por plataformas digitais, segundo dados do IBGE. Enquanto essa modalidade de ocupação se expande, os acidentes ligados a ela também aumentam: somente em 2024, o país registrou mais de 180 mil concessões de auxílio-doença acidentário.

Os números fazem parte de um levantamento do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com base em dados da Previdência Social. Desde 2012, já foram contabilizados mais de 8,8 milhões de acidentes de trabalho no país, cerca de 32 mil mortes e mais de 573 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamento.

Na Bahia, o retrato também preocupa. O MPT-BA aponta o transporte rodoviário de cargas entre as atividades econômicas com maior número de acidentes de trabalho no estado. Já a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) contabilizou 39.037 acidentes entre 2010 e 2021, dos quais 12.382, o equivalente a 32%, ocorreram em Salvador. Homens somam 86% das vítimas, e 37,5% dos casos envolvem trabalhadores em situação de informalidade, perfil próximo ao de boa parte dos profissionais que atuam por aplicativos.

Embora os levantamentos oficiais não separem os acidentes de trabalhadores de plataformas digitais dos demais, especialistas apontam motoristas e entregadores entre os grupos mais expostos a risco. Eles passam grande parte da jornada no trânsito e trabalham sob pressão por produtividade, avaliação de clientes e remuneração vinculada ao número de corridas ou entregas.

Corrida por entregas eleva risco de acidentes

Para Ana Paula Teixeira, médica do trabalho, sócia da consultoria Escutaris e autora do livro “Quando o Trabalho Dói”, a lógica desse modelo faz de cada entrega um fator de risco em potencial. “Quanto maior o número de entregas ou corridas, maior costuma ser a remuneração. Esse modelo faz com que muitos trabalhadores reduzam o tempo de descanso, enfrentem jornadas prolongadas, negligenciem sinais de fadiga e, em alguns casos, ultrapassem os limites de velocidade. O resultado é um aumento significativo no risco de acidentes, lesões graves e adoecimento físico e emocional”, explica Teixeira.

Medicina do trabalho atua na prevenção de acidentes

Ainda segundo a especialista, a Medicina do Trabalho tem papel importante na prevenção, com ações voltadas à direção segura, ao gerenciamento da fadiga, à ergonomia, à saúde mental e à educação em saúde. “Mesmo diante das novas relações de trabalho, investir em prevenção é essencial. O custo de um acidente vai muito além dos danos físicos: afeta a renda do trabalhador e de sua família, sobrecarrega o sistema de saúde e gera impacto para toda a sociedade”, afirma.

Direitos previdenciários cobrem parte da renda

Segundo Teixeira, esses profissionais também precisam conhecer os próprios direitos. Dependendo da situação e da contribuição ao sistema previdenciário, é possível ter acesso a benefícios do INSS em caso de incapacidade temporária, além de coberturas securitárias eventualmente oferecidas pelas plataformas.

Prevenção reduz risco de acidentes na rotina

Entre as medidas preventivas, a médica destaca o respeito aos limites de velocidade, pausas para descanso e alimentação, manutenção preventiva dos veículos, uso correto de equipamentos de proteção, direção defensiva e cuidado com a saúde física e mental.

“Por trás de cada entrega existe uma pessoa que depende daquele trabalho para sustentar sua família. A pressa nunca pode valer mais do que uma vida”, diz Teixeira, ao reforçar que reduzir acidentes no trabalho por aplicativo passa por reconhecer o profissional por trás de cada corrida ou entrega.

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