Do Micro Ao Macro
5 erros que sabotam a comunicação interna das empresas
Comunicação interna falha ajuda a explicar engajamento de 39% no Brasil em 2025 e pressiona empresas a rever práticas para recuperar produtividade em 2026
A comunicação interna entrou no radar das empresas após o engajamento dos trabalhadores atingir o pior nível da última década. Levantamento da FGV EAESP em parceria com a Engaja S/A aponta que apenas 39% dos profissionais estavam engajados em 2025. A queda gera impacto econômico estimado em R$ 77 bilhões por ano, refletido em menor produtividade e maior rotatividade.
Esse cenário pressiona as organizações a reverem práticas para 2026. Falhas recorrentes de comunicação interna, somadas à falta de reconhecimento e à sobrecarga emocional, ampliam o distanciamento entre empresas e trabalhadores.
Para Leandro Oliveira, diretor da Humand no Brasil, o problema não está na falta de talento, mas na ausência de visibilidade. “Quando as pessoas não se sentem vistas e reconhecidas, elas se desconectam do time”, afirma.
Dados do estudo Aon Employee Sentiment 2025 reforçam o alerta. Quase 20% dos trabalhadores avaliam que as empresas precisam avançar no cuidado com o bem-estar. Outros 25% se sentem desvalorizados, enquanto 68% cogitam deixar o emprego atual.
Falta de reconhecimento afasta pessoas
Um dos erros mais comuns da comunicação interna está em concentrar mensagens apenas em metas e indicadores. Para Oliveira, reconhecer esforços diários e trajetórias individuais reduz a desconexão.
Canais que dão visibilidade a conquistas de equipes e trabalhadores reforçam pertencimento e reduzem a percepção de invisibilidade, fator associado à queda de engajamento.
Ausência de senso de comunidade
Outro ponto crítico surge quando a comunicação interna não estimula vínculos entre pessoas. Ambientes sem espaços de troca e interação ampliam isolamento, sobretudo em equipes distribuídas ou operacionais.
Iniciativas que promovem grupos temáticos, rituais coletivos e compartilhamento de experiências fortalecem laços e sustentam a motivação no longo prazo.
Excesso de informação gera ruído
A sobrecarga de canais, mensagens e ferramentas compromete a produtividade. Uma comunicação interna desorganizada dificulta prioridades e amplia retrabalho.
Centralizar fluxos, padronizar canais e reduzir redundâncias melhora clareza e preserva energia dos times, especialmente em um contexto de automação e uso crescente de IA.
RH distante da estratégia
Quando o RH permanece restrito a tarefas administrativas, a comunicação interna perde alcance. Para Oliveira, o setor precisa atuar com foco em cultura, experiência e dados.
Histórias reais, indicadores claros e acesso ao frontline fortalecem decisões e ampliam o papel estratégico do RH na retenção.
Tecnologia sem intencionalidade
O uso inadequado de plataformas é outro erro recorrente. A comunicação interna depende de tecnologia que organize mensagens e estimule diálogo.
Ferramentas que permitem feedback, escuta ativa e respostas rápidas criam fluxos de mão dupla, ampliando transparência e conexão entre empresa e trabalhadores.
Apesar do quadro desafiador, há espaço para avanço. O mesmo estudo aponta que 44% dos profissionais estão dispostos a desenvolver novas habilidades para se manterem relevantes. Para as empresas, ajustar a comunicação interna em 2026 pode significar reduzir perdas, fortalecer vínculos e recuperar produtividade em um ambiente cada vez mais exigente.
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