Do Micro Ao Macro
5 ameaças de segurança que devem preocupar as empresas no fim do ano
Ransomware, IA em golpes, BYOD sem controle e fadiga de MFA lideram os riscos que times de TI devem monitorar até dezembro
Um invasor leva, hoje, apenas 29 minutos para se mover dentro de uma rede corporativa depois do primeiro acesso. O tempo caiu dos 48 minutos registrados em 2024, segundo o Global Threat Report 2026, da CrowdStrike. O dado ajuda a explicar por que a segurança de smartphones e tablets virou prioridade para as empresas na reta final do ano.
Hoje, esses aparelhos deixaram de ser apenas ferramenta de comunicação. Eles acessam dados confidenciais, sistemas ERP, aplicações em nuvem e credenciais corporativas, e cada dispositivo vira um ponto de entrada em potencial para invasores.
Segundo o mesmo relatório, 82% das detecções registradas em 2025 não envolveram malware. Em vez de arquivos maliciosos, os criminosos recorrem a credenciais válidas, identidades comprometidas e ferramentas já presentes nos sistemas.
O comportamento humano amplia essa exposição. O Data Breach Investigations Report 2026, da Verizon, mostra que ataques de engenharia social por chamada de voz e SMS têm taxa de sucesso 40% superior à de campanhas por e-mail.
A reta final do ano aumenta o risco. Compras, mensagens e transações ligadas às festas criam oportunidade para golpes, e a Check Point identificou mais de 33,5 mil e-mails de phishing com tema natalino em apenas 14 dias de dezembro de 2025.
A Pulsus, empresa de gestão de dispositivos móveis (MDM/UEM), reuniu cinco ameaças que devem entrar no radar das equipes de segurança até o fim do ano, com medidas para reduzir os riscos.
1. Ransomware amplia risco à segurança móvel
O ransomware móvel é um código malicioso que sequestra, criptografa ou bloqueia o acesso a dados armazenados em smartphones e tablets, geralmente com exigência de pagamento para liberação.
O problema ultrapassa as informações guardadas no aparelho. Smartphones corporativos concentram tokens, chaves de autenticação e identidades usadas para acessar serviços em nuvem, e um dispositivo invadido pode servir de ponte para outros ambientes da empresa, com escalonamento de privilégios e acesso a dados sensíveis.
No Brasil, o risco já tem casos concretos. Segundo o Securelist, da Kaspersky, o país está entre os mercados atingidos pela disseminação do trojan bancário Maverick via WhatsApp, que explora a dinâmica de compartilhamento do aplicativo para alcançar celulares pessoais e corporativos. No início de 2026, a companhia também registrou forte presença de variantes da família Mamont entre os trojans bancários móveis identificados na região.
Entre as medidas de mitigação, plataformas de MDM permitem restringir a instalação de arquivos APK e aplicativos fora das lojas oficiais, prática chamada de sideloading, além de definir quais aplicações podem rodar nos dispositivos corporativos.
2. IA aprimora golpes de engenharia social
A inteligência artificial generativa tornou os ataques de engenharia social mais sofisticados e personalizados. Mensagens genéricas dão espaço a comunicações capazes de reproduzir linguagem, identidade visual e traços de pessoas conhecidas pela vítima.
Ferramentas de clonagem de voz, por exemplo, aparecem em golpes de vishing e deepfake que simulam executivos pedindo transferências urgentes. Da mesma forma, mensagens podem imitar fornecedores, parceiros e outros contatos legítimos para tentar captar credenciais.
Além de orientar funcionários, as empresas precisam adotar controles que limitem o acesso a páginas, aplicativos e canais considerados de risco.
3. BYOD sem controle fragiliza a segurança
O BYOD (Bring Your Own Device) permite que funcionários usem celulares, tablets ou notebooks pessoais para acessar sistemas e informações da empresa. A prática reduz custo de equipamento e amplia a flexibilidade, mas cria desafios quando não existe política de governança.
Sem separação clara entre dados pessoais e profissionais, informações corporativas podem circular em aparelhos que também rodam aplicativos particulares, redes Wi-Fi públicas e softwares fora do controle do time de TI.
O mercado brasileiro de segurança móvel, avaliado em US$ 169,97 milhões em 2025, deve chegar a US$ 549,65 milhões até 2034, com crescimento médio anual de 13,93%, segundo a IMARC Group. Entre os fatores que impulsionam esse avanço está justamente a necessidade de ampliar o controle sobre dispositivos pessoais usados no trabalho.
A recomendação passa por políticas claras e, sempre que possível, pela separação entre dados profissionais e pessoais dentro do mesmo aparelho.
4. Fadiga de MFA testa a segurança do usuário
A autenticação multifator dificultou o acesso de invasores a sistemas corporativos apenas com usuário e senha. Como resposta, criminosos passaram a explorar o comportamento do próprio usuário, em ataques conhecidos como MFA Fatigue.
A técnica consiste no envio repetido de pedidos de autenticação para o celular do funcionário. Depois de obter credenciais, muitas vezes vazadas antes, o invasor dispara dezenas de notificações de confirmação.
Os pedidos costumam chegar de madrugada ou em momentos de alta carga de trabalho, até que o usuário aprove um deles por distração, dúvida ou cansaço.
Para reduzir o risco, empresas podem combinar políticas de acesso condicional com mecanismos como number matching, em que o usuário precisa confirmar um número específico durante a autenticação, o que reduz a chance de aprovação automática ou acidental.
5. SDKs comprometidos ameaçam toda a cadeia
Nem todo ataque começa no aparelho do usuário. Na cadeia de suprimentos de software, criminosos comprometem fornecedores ou componentes usados no desenvolvimento de aplicações.
No ambiente móvel, isso inclui o comprometimento de SDKs (Software Development Kits) incorporados a aplicativos e até atualizações aparentemente confiáveis distribuídas por canais tradicionais.
Esses softwares costumam ter permissões legítimas do próprio sistema operacional, e um componente comprometido pode coletar dados, monitorar credenciais ou transferir informações da empresa de forma silenciosa, o que dificulta identificar o incidente.
A gestão centralizada permite definir quais versões de aplicativos estão homologadas, controlar atualizações e distribuir patches de segurança à distância, evitando que softwares não aprovados permaneçam nos aparelhos.
Juntas, essas cinco frentes mostram que a segurança de dispositivos móveis deixou de ser tema secundário na lista de prioridades das empresas, sobretudo num período do ano em que o volume de transações e mensagens cresce e amplia a superfície de ataque.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



