Diversidade

Negra, feminina e indígena: Mangueira ousa ao contar a história

Verde e Rosa homenageou Marielle Franco e os heróis negligenciados pela história hegemônica

Negra, feminina e indígena: Mangueira ousa ao contar a história
Negra, feminina e indígena: Mangueira ousa ao contar a história
(Foto: Carl Sang/ AFP)
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A escola de samba Estação Primeira de Mangueira entrou na Sapucaí no meio da madrugada desta terça-feira 5 – do Carnaval do Rio de Janeiro – e tão logo os primeiros foliões pisaram na avenida, o público nas arquibancadas não parou mais de cantar. Ao menos ali estava claro que aquela era a escola mais aguardada.

A Verde e Rosa ousou ao cantar e contar sobre os heróis negligenciados pelos livros da História do Brasil, e fez a prometida homenagem à vereadora Marielle Franco, um dos momentos mais aguardados. Muitos levaram a placa “Rua Marielle Franco”, outra com “Mari Presente”, e também “Justiça por Marielle”.

Na arquibancada popular, mais manifestações, entre elas um bandeirão com o rosto da carioca, assassinada em 14 de março do ano passado. Na pista, as referências à vereadora apareceram na comissão de frente e na última ala. Ao longo da escola, que levou o Estandarte de Ouro de melhor escola do Grupo Especial, apareceram personagens como Luisa Mahin, Esperança Garcia e Chico da Matilde.

A arquiteta Mônica Benício, viúva de Marielle, esteve presente na passarela, usando uma camiseta com os dizeres “Lute como Marielle”. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) e o vereador Tarcísio Motta (PSOL) também participaram do desfile.

Ao longo do desfile, os carros trouxeram frases como “Ditadura Assassina”, mostraram ex-presidentes como Floriano Peixoto pisando em cadáveres e apresentaram os Bandeirantes como gananciosos que mataram e escravizaram índios em busca de ouro (ao invés da imagem de desbravadores que consta nos livros escolares).

Um dos destaques da escola foi a bateria que levantou o público ao utilizar instrumentos característicos de religiões de matriz africana. A ação foi pensada não apenas pela sonoridade, mas para explicitar, mais uma vez, o tom político e social do desfile de 2019, buscando valorizar a cultura afro e criticar o preconceito contra as religiões afrodescendentes.

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