Movimentos organizam protesto por morte de ativista LGBT no Paraná

Corpo de Lindolfo Kosmaski, de 25 anos, foi encontrado carbonizado em veículo no município de São João do Triunfo, em 1º de maio

Lindolfo Kosmaski, ativista LGBT do MST, foi encontrado morto em estrada rural. Foto: Rafael Stedile

Lindolfo Kosmaski, ativista LGBT do MST, foi encontrado morto em estrada rural. Foto: Rafael Stedile

Diversidade,Sociedade

Ativistas e movimentos sociais organizam um ato pela morte de Lindolfo Kosmaski, militante LGBT de 25 anos, na cidade de São João do Triunfo, interior do Paraná. No protesto a ser realizado no sábado 8, às 9h30 da manhã, no centro do município, os manifestantes devem pressionar a Justiça pelo andamento das investigações sobre possível assassinato por homofobia.

 

 

O corpo foi encontrado carbonizado e com dois tiros dentro de um carro em uma estrada rural da cidade, na manhã de 1º de maio. Em seguida, foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de União da Vitória e liberado no dia seguinte. O enterro ocorreu na segunda-feira 3.

O caso virou alvo de inquérito na Delegacia de Polícia Civil de São João do Triunfo, sob responsabilidade do delegado Michel Leite Pereira Silva. A Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Paraná acompanha a apuração, por meio da promotora Andréa Cristina Koslovski. Procurados, o delegado, a promotora e a Secretaria de Segurança Pública do Paraná não se manifestaram.

Hermes Leão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Educação Pública do Paraná, conhecia Kosmaski e visitou a família no fim de semana. Segundo o sindicalista, o jovem havia saído de casa na noite de sexta-feira 30 para ir até um comércio, sozinho, dirigindo seu carro, e não retornou.

Na madrugada, um incêndio em uma plantação chamou a atenção da comunidade, derivado do fogo colocado no automóvel. Kosmaski teria sido amarrado no banco dos passageiros, de acordo com o relato que Leão ouviu dos familiares. O veículo e o corpo foram identificados pelo Corpo de Bombeiros.

“São características de uma ação marcada como crime de ódio”, diz o sindicalista, que visitou o cenário do crime.

 

Lindolfo Kosmaski foi imobilizado no banco dos passageiros por criminosos, diz sindicalista. Foto: Arquivo

 

Kosmaski foi candidato a vereador na cidade em 2020, pelo PT, e se dedicava à causa LGBT no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O fato de que o jovem era engajado e estava em evidência na região representa um indício para a família de que o assassinato teve motivação política, afirma Leão.

Clau Lopes, presidente do Conselho de Direitos Humanos do Paraná, relatou a CartaCapital que Kosmaski estava recebendo ameaças virtuais com discursos de ódio, que incluíam ofensas a sua orientação sexual. A entidade também acompanha as investigações.

Lopes afirmou que está em curso uma articulação para oferecer assistência à família, que ficará sob vulnerabilidade econômica “bem maior” após a morte de Kosmaski. O jovem tinha a única renda fixa na casa, de cerca de 1,4 mil reais, que obtinha com um contrato temporário como professor de Física no Colégio Estadual Francisco Neves Filho.

Kosmaski era o mais velho dos 5 filhos dos agricultores Adolfo e Rose. Dois irmãos são menores de idade. Procurada, a família preferiu não se pronunciar.

“É uma família muito pobre. Com muito esforço, o Lindolfo conseguiu o seu diploma na Licenciatura”, conta Lopes.

Uma nota de pesar foi emitida na terça-feira 4 pela Universidade Federal do Paraná, onde Kosmaski se formou em Educação do Campo, em parceria com a Escola Latino-americana de Agroecologia. Na mesma universidade, o jovem cursava mestrado no Pós-Graduação em Educação em Ciências e em Matemática.

“A UFPR reitera o posicionamento contra qualquer tipo de violência ou discriminação”, escreveu a instituição.

O prefeito de São João do Triunfo, Abimael do Valle (PT), cobrou que o caso seja esclarecido e publicou uma imagem com a hashtag #HomofobiaMata, no domingo 2. A bancada petista na Assembleia Legislativa do Paraná protocolou requerimentos de votos de pesar pelo assassinato. Na quarta-feira 5, o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente da sigla no Paraná, propôs um projeto de lei que cria uma delegacia especial para crimes de intolerância.

O MST, por sua vez, homenageou a passagem de Kosmaski na organização e reivindicou punição aos culpados.

“O MST destaca o seu compromisso de lutar por uma sociedade sem LGBTfobia e na construção de um mundo onde a vida e todas as formas de ser e amar sejam garantidas plenamente.”

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Repórter do site de CartaCapital

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