Confira blocos feministas pelo Brasil que desfilam no carnaval

Blocos liderados e formados por mulheres se multiplicam nos quatro maiores carnavais do país; confira a lista com o dia dos desfiles

Tomas Silva/EBC

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Diversidade

Nos maiores carnavais do Brasil, o debate sobre assédio, direitos reprodutivos e outros temas da agenda feminista há anos ganha vez mais espaço com a multiplicação de blocos liderados e formados por mulheres. Eles crescem a cada Carnaval, e alguns já estão entre os mais populares de Recife e Olinda (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Salvador (BA). Da bateria à produção do desfile, mulheres mudaram a cara do Carnaval, visibilizando suas pautas e o debate de gênero também durante a folia.

Para Lolla Angelucci, do bloco Maria Vem com as Outras, no Rio de Janeiro, a urgência de ocupar o Carnaval a partir do olhar das mulheres foi o que motivou a criação da “bloca”, como elas chamam: “Quando começamos este movimento, sentíamos muita falta de um espaço assim, e também queríamos que fôssemos respeitadas como musicistas. O bloco surgiu em 2016, formado por várias mulheres que já tocavam no Carnaval e queriam construir uma coisa nova, que tivesse protagonismo feminino e fosse totalmente horizontal”

Esse processo foi importante para repensar o lugar das mulheres no Carnaval, segundo Angelucci. “É muito importante marcar esse espaço e mostrar para as outras mulheres o quanto a gente pode ocupar. Outro aspecto importante é ter um espaço seguro em que podemos aprender e trocar com outras mulheres. Cada vez mais fazer Carnaval e ser mulher é uma forma de resistência.”

Além do debate de gênero, a agenda racial também tem presença forte no Carnaval de rua dessas cidades. O bloco Ilú Obá de Min, criado em 2005 em São Paulo, tem uma bateria formada por mulheres, principalmente negras, e desenvolve atividades dentro e fora do Carnaval sobre enfrentamento ao racismo e sexismo.

“O processo tem sido muito interessante e crescente, pois reunimos mais de 200 mulheres pretas [no bloco]. Isto é revolucionário. Nós nos sentimos mais pertencentes e autoras das nossas obras, tanto no âmbito do Carnaval como no âmbito do empoderamento da mulher preta”, diz Beth Beli, uma das fundadoras do Ilú Obá de Min.

Veja abaixo alguns dos blocos feministas que desfilarão nos próximos dias:

SALVADOR (BA)

Afoxé Filhas de Gandhy

Por causa da proibição da filiação feminina no icônico Filhos de Gandhy, mulheres decidiram criar um homônimo em 1979, três décadas após a fundação do bloco masculino. Ano passado, quando completava 40 anos de existência, as Filhas de Gandhy não conseguiram apoio de um programa do governo estadual voltado para entidades de matriz africana dos segmentos afro e afoxé, que desfilam no Carnaval de Salvador. Com isso, o bloco teve dificuldades para colocar seu desfile nas ruas. Este ano, o bloco vai para a rua com o tema “Mulheres de Paz”, em local e horário a serem anunciados.
Quando e onde: a ser definido

Banda Didá

O samba-reggae dá o tom da Banda Didá, fundada há 25 anos por um homem e repleta de mulheres. Música, arte e política se misturam na proposta do bloco, que tem entre suas principais bandeiras o empoderamento feminino e a resistência negra.
Quando e onde: 24 de fevereiro, às 10h30, no Campo Grande

RECIFE e OLINDA (PE)

Vacas Profanas

O bloco surgiu no Carnaval de 2015, batizado com a música de Caetano Veloso e inspirado em uma fantasia usada por sua fundadora, Dandara Pagu. Naquele ano, ela foi reprimida pela polícia porque estava com os seios à mostra. A Vaca Profana do bloco simboliza a libertação do corpo da mulher, que busca desconstruir o tabu em relação aos seios femininos durante o Carnaval.
Quando e Onde: 24 de fevereiro, às 11h, na Praça dos Milagres (Olinda)

Maracatu Baque de Mulher

O Maracatu Baque Mulher é um dos mais tradicionais de Recife. Foi idealizado e dirigido por Joana Cavalcante, Mestra da Nação do Maracatu Encanto do Pina. Seu objetivo é fortalecer a figura da mulher como protagonista, como liderança religiosa dentro de suas comunidades e em funções tradicionais dentro do maracatu, como a dança.
Quando e Onde: 21 de fevereiro, às 20h, em frente ao Espaço Cultural Sinspire (Rua da Guia / Praça do Arsenal)

Nem Com uma Flor

Fundado há quase 20 anos, o bloco, promovido pela Secretaria da Mulher do Recife, desfila pelas ruas do Recife Antigo demandando o fim da violência contra mulher. O bloco contará este ano com a participação de Gretchen, e vai homenagear Joana Batista, uma das compositoras da letra do clássico frevo “Vassourinha”.
Quando e Onde: 20 de fevereiro, às 15h, na Praça do Arsenal

SÃO PAULO (SP)

Ilú Obá De Min

O bloco é o projeto mais conhecido da instituição Ilú Obá De Min – Educação, Cultura e Arte Negra, que em Yorubá significa “mãos femininas que tocam tambor para Xangô”. Com bateria formada exclusivamente por mulheres, o cortejo sai pelas ruas de São Paulo desde 2005 com objetivo reverenciar cultura afro-brasileira, desenvolver atividades de empoderamento da mulher e enfrentamento do racismo, sexismo, discriminação, intolerância religiosa e homofobia.
Quando e Onde: 23 de fevereiro, às 14h na Alameda Barão de Piracicaba (esquina com Alameda Nothmann)

Bloco Siriricando

É um bloco feito para mulheres que amam mulheres, onde o protagonismo é das mulheres lésbicas e bissexuais. Desde 2017, o bloco tem celebrado, com marchinhas, o amor entre mulheres e um Carnaval seguro e confortável para todas.
Quando e Onde: 24 de fevereiro, às 14h, na Rua Bento Freitas em Santa Isabel

Bloco Pagu

O bloco nasceu em 2016, com a missão de exaltar a busca por equidade e respeito à liberdade individual da mulher. Com uma bateria com 150 mulheres, em pouco tempo tornou-se um dos mais expressivos blocos de Carnaval da capital paulista. Suas intérpretes principais entoam clássicos da MPB conhecidos na voz das grandes ícones musicais, como Carmem Miranda, Elis Regina, Marisa Monte, Gal Costa, Maria Bethânia e Dona Ivone Lara.
Quando e Onde: 25 de fevereiro, às 12h, entre a Avenida Ipiranga e a São João

RIO DE JANEIRO (RJ)

Mulheres Rodadas

O bloco surgiu em 2015 e se define como o primeiro bloco feminista do Carnaval carioca. A partir de um protesto contra uma postagem de rede social que dizia “Não mereço mulher rodada”, o grupo subverteu a ideia de que cabe rotular as mulheres dessa forma. Nos últimos cinco anos, o bloco levou milhares de pessoas às ruas com uma banda majoritariamente formada por mulheres e, durante o ano, também realiza oficinas de música, apresentações na rua e rodas de conversa sobre temas relacionados ao feminismo.
Quando e Onde: 26 de fevereiro, às 9h, no Largo do Machado

Bloco Toco-xona

O bloco, que desde 2007 se define como o primeiro bloco LGBT+ de Carnaval fundado por mulheres lésbicas, leva às ruas do Rio de Janeiro um repertório que faz releituras de Madonna a É o Tchan.
Quando e Onde: 23 de fevereiro, às 07h, no Aterro do Flamengo

Por Vitória Régia da Silva

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