Cultura

Cantor suíço Nemo se torna primeiro artista não-binário a vencer Festival Eurovision

A 68ª edição do concurso musical foi marcada por polêmicas em torno da participação de Israel

Nemo, vencedor do Eurovision 2024. Foto: Tobias SCHWARZ / AFP
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O cantor suíço Nemo venceu na madrugada deste domingo (12) o Festival Eurovision com a canção “The Code”, tornando-se o primeiro artista não-binário a levar o primeiro lugar no evento. A sexagésima-oitava edição do concurso, realizada em Malmo, na Suécia, foi marcada por polêmicas em torno da participação de Israel.

“Espero que esta competição possa continuar incentivando a paz e a dignidade de cada um”, disse o cantor de 24 anos, em seu discurso de vitória.

Vestindo uma saia e um casaco de tule rosa, Nemo interpretou com maestria a dançante “The Code”, obtendo um total de 591 pontos (365 do júri e 226 do público). O suíço desbancou o roqueiro croata Baby Lasagna, que ficou em segundo lugar com 547 pontos. A Ucrânia terminou em terceiro (453 pontos) e a França em quarto (445 pontos).

A ovacionada canção “The Code” conta a história pessoal de Nemo Mettler. “‘The Code’ fala sobre a jornada que começou quando percebi que não sou nem homem nem mulher”, disse ele, durante a semana.

Com a vitória, o cantor confere à Suíça o terceiro troféu no concurso, realizado desde 1956. A última vitória do país datava de 1988, com a canção “Ne partez pas sans moi”, interpretada pela cantora canadense Céline Dion.

A cidade natal de Nemo, de Bienne, no noroeste da Suíça, acompanhou com orgulho a apresentação. Centenas de fãs se reuniram no centro da localidade de 55 mil habitantes para assistir em um telão a performance do jovem. “Nemo, você é o melhor!”, gritaram os fãs durante sua participação.

O evento, considerado o maior concurso musical do mundo, é seguido por dezenas de milhões de telespectadores em todo o planeta e é visto como uma vitrine da comunidade LGBTQIA+. Entre os vencedores mais célebres do Eurovision estão a drag queen austríaca Conchita Wurst, vencedora em 2014, e o francês Bilal Hassani, em 2019.

Protestos pró-Palestina marcar edição de 2024 no Eurovision, o maior concurso musical do mundo.
Foto: Johan Nilsson/TT / TT NEWS AGENCY / AFP

Polêmica envolvendo Israel roubou os holofotes

A 68ª edição do Eurovision foi monopolizada por uma polêmica envolvendo a participação de Israel, apesar dos apelos à exclusão do país devido à guerra na Faixa de Gaza. Durante toda a semana, Malmo – que abriga a maior comunidade palestina da Suécia – foi palco de protestos que chegaram a reunir mais de 10 mil pessoas, entre elas, a militante ecologista Greta Thunberg.

No sábado (11), a segurança foi reforçada na cidade, com efetivos policiais vindos de todo o país, da Dinamarca e da Noruega. Durante o evento, cerca de cinco mil pessoas participaram de uma manifestação que foi dispersada pela polícia.

Dentro da Malmö Arena, a performance da cantora israelense Eden Golan foi recebida com uma mistura de vaias e aplausos. Apesar da controvérsia, a artista ficou em quinto lugar com a canção “Hurricane”, que obteve 375 pontos.

A música, inicialmente intitulada de “October Rain”, foi modificada a pedidos da organização por evocar o ataque do grupo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. O Eurovision diz que veta qualquer bandeira política, mas vem sendo marcado por protestos em suas últimas edições.

Os fãs de Eden Golan protestaram contra a derrota da artista, uma decisão “claramente política” para Guy, que se reuniu com admiradores da artista no Layla, um célebre bar gay de Tel Aviv. “Eden foi formidável, mas há pessoas que nos odeiam. Elas não veem o contesto geral”, diz.

(Com informações da AFP)

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