Assassinatos de travestis e transsexuais crescem 70% em 2020

Levantamento feito pela Antra mostra que todas as vítimas são do gênero feminino

Assassinatos de travestis e transsexuais crescem 70% em 2020. Foto: Agência Patrícia Galvão.

Assassinatos de travestis e transsexuais crescem 70% em 2020. Foto: Agência Patrícia Galvão.

Diversidade

2020 tem sido um ano recorde de assassinatos contra travestis e transsexuais no Brasil. Nos oito primeiros meses do ano, o País registrou 129 assassinatos de pessoas trans, um aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

Os dados foram divulgados nesta terça-feira 08 pela Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra). O levantamento mostra também que 2020, em apenas oito meses, superou todos os anos anteriores desde o início do levantamento feito pela ONG, que acompanha os registros nas delegacias do Brasil.

 

 

“Esse resultado se dá muito pela falta de ações do estado, que segue ignorando esses índices e não implementou nenhuma medida de proteção junto à população LGBTI+, mesmo depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a LGBTIfobia como uma forma do crime de racismo”, diz a Antra.

A associação alerta para o aumento da vulnerabilidade das pessoas trans em meio à pandemia do novo coronavírus.

“Enfrentamos um momento singular com a pandemia da Covid-19 agravando ainda mais as desigualdades já existentes. A vida das pessoas trans, principalmente as travestis e mulheres transexuais trabalhadoras sexuais, que seguem exercendo seu trabalho nas ruas, tem sido afetadas diariamente. A maioria não conseguiu acesso às políticas emergenciais do estado devido à precarização histórica de suas vidas e não possui outra opção a não ser continuar o trabalho nas ruas, se expondo ao vírus e consequentemente à violência transfóbica”.

 

São Paulo lidera número de assassinatos

São Paulo continua sendo o estado que mais mata pessoas trans no Brasil, com 19 casos, seguido por BA e MG com 16, Ceará com 15 e RJ com 7 assassinatos.

“Os dados não refletem exatamente a realidade da violência transfóbica em nosso país, uma vez que nossa metodologia de trabalho possui limitações de capturar apenas aquilo que de alguma maneira se torna visível. É provável que os números reais sejam bem superiores”, alerta a Antra.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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