Cultura

Aretuza Lovi: ‘Fui uma criança triste, meu pai me agredia. A música era um bálsamo’

Em entrevista a CartaCapital, a cantora e drag queen falou sobre o lançamento de seu álbum e sobre como a música ajudou a superar traumas do passado

A cantora e drag queen Aretuza Lovi. Foto: Divulgação
A cantora e drag queen Aretuza Lovi. Foto: Divulgação
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Prestes a lançar o segundo álbum da carreira, após o sucesso do disco Mercadinho (2018) e dos EPs Nudes (2016) e PopStar (2013), a cantora e drag queen Aretuza Lovi diz que a música a ajudou a superar um passado de opressões.

Bruno Nascimento, que está por trás de Aretuza, relatou a CartaCapital uma infância de tristezas na cidade onde cresceu, Cristalina (GO), sobretudo pela frequência das torturas psicológicas promovidas pelo pai.

“Eu era uma criança extremamente triste”, declarou na entrevista. “Eu vim de uma criação machista, homofóbica, transfóbica, racista. Meu pai me agredia muito, era bizarro. Eu não esboçava um sorriso. Eram torturas psicológicas absurdas que eu cresci ouvindo do meu pai.”

Aretuza diz que a música entrou em sua vida como um momento de conforto. Sereia, de Lulu Santos, marcou a sua memória afetiva como a primeira música a ter caído no seu gosto. A letra fala sobre beleza, amor, passagem do tempo e o sonho de uma criança.

“Eu tive a oportunidade de falar para o Lulu quantas vezes essa música foi um bálsamo para a minha alma nos piores momentos de dor na minha infância”, disse a cantora.

Hoje, aos 32 anos, a artista afirma que essa história não lhe serve para fazer “vitimismo”.

Embora tenha sido, sim, vítima de opressões, Aretuza Lovi avalia que essa triste experiência serve como uma lição para a relação com o seu filho Noah, de oito anos, e para outros pais aceitarem e amarem os seus filhos como eles são.

“Peguei o meu pai como uma referência de tudo o que eu não queria ser. Quero fazer com o meu filho o oposto do que o meu pai fez comigo. Eu não fui uma criança amada. O meu filho foi um exercício diário do que é o amor.”

Na entrevista, Aretuza também refletiu sobre a importância de debater o respeito às diferenças nas escolas e criticou o presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo discurso de ódio contra populações vulneráveis, como a comunidade LGBT+.

“A educação sexual não vem para influenciar o seu filho a mudar a sexualidade dele”, afirmou a cantora. “Falar de educação sexual nas escolas previne os índices de abuso sexual contra as crianças e é de extrema importância para acabar com o preconceito.”

Em 11 de agosto, Aretuza Lovi estreia uma nova fase em sua carreira, em que pretende homenagear ritmos das regiões Norte e Nordeste, por onde viveu na adolescência.

Três faixas do novo álbum já estão no ar nas plataformas digitais: DenguinhoSwing LoucoBaião de Dois, esta realizada em parceria com o cantor Getúlio Abêlha.

Boa parte da obra foi escrita durante a pandemia. Segundo ela, o objetivo é enaltecer a cultura popular de regiões brasileiras ainda invisibilizadas nos grandes meios de comunicação.

“A gente está muito ligado a uma cultura pop americana. Temos que voltar os olhos para o nosso País. Temos artistas incríveis no Norte e no Nordeste”, diz ela.

A entrevista na íntegra está disponível no Instagram de CartaCapital, na aba de vídeos.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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