Diversidade

A “opinião” criminosa dos bolsonaristas no caso do Thammy Miranda

O empresário, que é um homem trans, foi convidado para fazer parte de uma campanha para o Dia dos Pais

Thammy Miranda, Andressa Ferreira e o pequeno Bento Foto: Instagram/thammymiranda
Thammy Miranda, Andressa Ferreira e o pequeno Bento Foto: Instagram/thammymiranda

Mais uma vez vamos reportar um caso de LGBTfobia envolvendo a família do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores.

O foco da vez é o ator e empresário Thammy Miranda, anunciado nesta semana pela Natura como garoto propaganda do Dia dos Pais, comemorado no próximo dia 9. Miranda e sua esposa, Andressa, tiveram recentemente um filho, o Bento.

O fato de Thammy ser um homem trans incomodou o clã bolsonarista e seus seguidores, que o atacaram e propuseram um boicote à marca, sob a justificativa de desrespeito à família brasileira.

O deputado federal e filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL) chegou a afirmar que colocar uma “mulher como garoto propaganda do dia dos pais” é uma certa forma de ditadura, pois “assim vão te calando e empurrando goela abaixo uma conduta totalmente atípica para padrões brasileiros”.

O 03 só esqueceu de explicar qual conduta se refere. A de amar um filho? A de fazer seu filho não se tornar uma pessoa sem pai no registro, como 5,5 milhões de brasileiros? (dados divulgados pelo CNJ). A de estar presente e ajudar a mãe nos trabalhos domésticos que um filho dá? Gostaria de entender.

Outra pergunta que faço é: até que ponto a justificativa de ser “minha opinião” pode ser utilizada para atacar uma pessoa? Passamos por um momento de discussão sobre fake news e liberdade de expressão, e esse é um ponto que deve ser colocado no debate também.

A LGBTfobia é considerada crime de racismo no Brasil há mais de um ano, mas ainda é pouco colocada em prática em casos como esse.

Prova disso é a aceitação de “opinião própria” como argumento para desqualificar um LGBT. Não importa se é baseado em religião, achismo ou moralidade: uma opinião que tira direitos, neste caso, é opressão e deve ser combatida. Temos a lei ao nosso lado.

No caso de Thammy, além do achismo, outro argumento utilizado é a questão biológica.

Muitas pessoas que usam a biologia para atacar um LGBT dispensam o argumento quando vão defender uma religião, por exemplo. Há muitas passagens bíblicas que não encontram explicações na ciência.

Outro exemplo é o debate sobre o uso da cloroquina no tratamento do coronavírus. As pesquisas apontam que o medicamento não é efetivo contra a covid-19. No entanto, Bolsonaro e seus seguidores defendem o uso.

Crescemos em uma sociedade que naturaliza o preconceito contra os LGBTs e, em muitas vezes, isso é tratado como uma questão de “opinião”.

“Não tenho nada contra, só não concordo”. Quem nunca ouviu uma frase desse tipo? Ela, normalmente, é dita de forma quase amigável pelos “cidadãos de bem”, que não levam em conta o fato de o Brasil ser líder mundial em mortes de LGBTs.

Os achismos nos matam. Vida longa ao Thammy e a todos os LGBTs que resistem a esse obscurantismo moral.

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