Cultura

Zé Ramalho não autoriza Sérgio Reis a utilizar ‘Admirável Gado Novo’

Depois de Guarabyra, Maria Rita e Guilherme Arantes, Zé Ramalho também desiste de álbum em duo com Sérgio Reis

Foto: Reprodução
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A emblemática música Admirável Gado Novo, que já havia sido gravada por Sérgio Reis para compor um álbum a ser lançado neste segundo semestre com clássicos da MPB, teve uso vetado no sábado 21 pelo seu autor, Zé Ramalho. O paraibano fazia duo com sertanejo na gravação.

Assim, Sérgio Reis perde mais um nome de peso no disco, desde que apareceu convocando a população, por meio de vídeos divulgados nas redes sociais, para manifestações antidemocráticas antecedendo o 7 de setembro.

Guarabyra, que apareceria com Sérgio Reis no álbum com a música Sobradinho (Sá e Guarabyra); Maria Rita que faria duo com sertanejo na canção Romaria (Renato Teixeira) e Guilherme Arantes, que cantaria com o bolsonarista Planeta Água (do próprio Arantes) já haviam cancelado a participação no álbum.

Obra-prima de Zé Ramalho, Admirável Gado Novo remete, segundo o próprio autor, as dificuldades enfrentadas pelo povo brasileiro sempre na tentativa de ascender de classe social. O cantor e compositor paraibano seria exemplo dessa luta na época em que a canção foi apresentada em 1979.

Admirável Gado Novo foi lançada no segundo disco de Zé Ramalho, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979), um disco político-social que explora as riquezas dos ritmos nordestinos e as dificuldades de um retirante no Rio de Janeiro.

A composição teve estrondoso sucesso na época. O País começava a viver o fim do regime militar e a música encaixava àquela nova realidade.

O trecho “Vocês que fazem parte dessa massa, que passa nos projetos do futuro, é duro ter que caminhar e dar muito mais do que receber” sintetiza a força dessa canção atemporal, uma metáfora brasileira. A expressão “vida de gado” usada na composição (“Ê, oô, vida de gado…”) está relacionada à multidão e a situação do povo brasileiro.

A música é uma representação forte de contestação social, com uma exuberância poética rara, e não é qualquer um que está altura de interpretá-la.

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