Vinicius Chagas mostra no sax virtuosismo e estilo próprio

Músico lança 8º álbum revelando sonoridade ousada e sofisticação

Foto: Pedro Caram/Divulgação.

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Cultura

A música começa com o ritmo indefinido, livre, porém marcante. Com certa melancolia, a composição vai ganhando pulso e, mais adiante, improvisos de baixo, guitarra, bateria e sax. No fim, é o sax que dá a cadência com outros instrumentos ao fundo com ritmos flutuantes.

A peça instrumental tem o nome de Guilhotina, possui quase 12 minutos e foi composta pelo saxofonista Vinicius Chagas com arranjos feitos de forma coletiva, junto com os músicos que o acompanham na gravação desta composição: Michel Leme (guitarra), Jackson Silva (contrabaixo elétrico) e Fernando Amaro (bateria).

“Dentro do universo instrumental não há muito esse limite do tempo. A música tem vontade própria”, explica Vinicius Chagas sobre o tempo longo da peça. A faixa dramática e melodia apreensiva integra o novo álbum do saxofonista chamada Precipício (Gravadora Galeão).

O disco mantém a linha do single Guilhotina já lançado. Com oito faixas, conta com composições de todos os integrantes do quarteto já citado. O grupo tocou por quase dois anos juntos e se conhecem bem. Por isso, em Precipício, a liberdade musical de cada integrante foi a tônica.

Na pandemia, Vinícius Chagas fez cinco álbuns – antes, ele já havia registrado cinco discos, desde 2016.  Precipício é o terceiro e chegará nas plataformas de música dia 8 de outubro. Neste ano, já saíram os álbuns Chagas Changes e O Fantástico Mundo de Chagas.

Outros que chegarão às plataformas de música até o final do ano é o Black Dark – que mistura um pouco de rock metal e progressivo com jazz, mas puxado para o jazz fusion, nas palavras de Vinícius – e o outro é um disco intimista, com o baterista Fernando Amaro (bateria), com arranjos novos de músicas standard do jazz.

Igreja

Vinícius Chagas toca sax soprano e tenor e flauta transversal e doce. Começou a tocar na igreja evangélica. Os pais são bem religiosos.

Quando ouviu o saxofonista americano Charlie Parker, um dos mais revolucionários músicos do jazz de todos os tempos, descobriu que tocar sax ia ser o seu meio de vida.

Nascido em Barra do Piraí (RJ), foi parar no interior de São Paulo, na região de Campinas, já que o pai trabalhava com obra. Tocou ainda adolescente em casamento e festas, mas não conseguiu ir bem no colégio.

“Minha infância teve vários momentos difíceis”, conta sobre a família de poucos recursos. Sem ajuda dos pais, chegou à capital São Paulo aos 17 anos e foi à luta. Apesar de encontrar muitas portas fechadas, conseguiu ingressar na noite paulistana e criar um círculo de relacionamento.

Virtuoso, ao longo dos anos desenvolveu estilo próprio, com sonoridade ousada e sofisticação musical. Suas composições sofreram influência do que viveu na igreja, da música gospel e da vida nada fácil, com fortes traços de dramaticidade e improviso.

O músico estudou música em São Paulo, teve aulas de instrumentos com Vitor Alcântara e Paula Valente e aulas de prática de conjunto com Sizão Machado e Roberto Sion.

Já acompanhou vários artistas e participou de diversos projetos. Desde 2015 integra a banda Aláfia, com quem gravou três álbuns.

 

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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