Cultura

Very LA

A cidade prima por lugares para ver e ser visto, geralmente com decoração risível e cardápio duvidoso. A sacada é fugir das referências

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Famoso entre os famosos, o Asia de Cuba é único. A lagosta com shoyu, castanhas, limão e manteiga impressiona. Ilustração: Ricardo Papp
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Disse eu que falaria sobre “momentos de alta gastronomia”. Acho que menti, mas posso explicar. Depois de uma semana comendo em restaurantes nos quais o luminoso na porta é muito mais importante do que o cardápio, qualquer molho rosé ganha ares de comida francesa chic e da boa.

A última parada da viagem foi em Los Angeles e ficamos em um hotel bastante interessante. De cara, um sujeito simples e velho como eu sente vontade de rir ao ver a opção sugerida pelos decoradores e aceita pelos proprietários. Eu diria: risível. Outros mais bacanas que eu, essa turma que adora o desconforto de hotéis-butique geralmente exagerados em design e demais itens de gosto duvidoso, certamente adoram o Mondrian.

Não posso negar: confortável, serviço impecável, localização muito boa e uma vista muito simpática. O bar do hotel chega a ser triste e a culpa não é dele. Explico melhor mencionando Rachel, nossa produtora local. Pedi a ela indicação de bons restaurantes e ela sempre começava dizendo: “Para ver e ser visto, temos X, Y, Z”. E outros tinham somente boa comida, mas não eram locais “para ver e ser visto”. Ou ainda, um rabichinho de comentário: This place is very LA. Pois o bar do hotel se encaixava nessa categoria do ver e ser visto e era muito LA.

Leia outros artigos de Marcio Alemão:

 

Logo na porta se digladiavam as mais estranhas criaturas que o mundo da cirurgia plástica consegue produzir. Figuras deformadas, para o meu gosto, e desesperadas por um olhar. Um dedo de um produtor que apontasse na direção dela dizendo: you! Um segurança gentil fazia a seleção dos que entravam e pude ouvir nomes sendo mencionados, seguido de um constrangedor: sorry!

O restaurante também bombava, mas com mais discrição. É o famoso entre os famosos Asia de Cuba. Você pode encontrá-lo em outras boas cidades ao redor do planeta como Londres, Miami, Buenos Aires. Seu criador é o empresário restaurateur Jeffrey Chodorow.

Talvez você se lembre dele. Fazia parte de um reality sobre restaurantes. Um estranho chef tentava montar um novo restaurante e aí tínhamos toda aquela “bistecada” de sempre.

O que vale saber: Jeffrey tem ideia. Nem sei se sabe comer, se tem bom paladar. Fato é: tem ideias criativas a respeito de conceitos gastronômicos.

Esse tal citado e por mim provado é uma mistura das cozinhas asiá-tica e cubana. Ele não especifica a parte da Ásia que o inspirou. Mas de vez em quando rola um gengibre, um shoyu, leite de coco. De Cuba, francamente tenho pouquíssima referência, a não ser do clássico filé à cubana com sua enorme banana à milanesa que, a exemplo do camarão à grega e do lombinho canadense, não deve ter sido provada por nenhum habitante da ilha dentro da ilha.

Ou seja: criar é humano e o senhor Jeffrey mandou ver e conseguiu um -resultado acima da média. Os tentáculos de polvo crocantes caramelizados com alho fizeram tanto sucesso que foram pedidos como principal. Sim, era uma entrada; da mesma forma que a lagosta com shoyu, limão, castanhas e manteiga queimada nos impressionou.

Churrascos ditos “cubanos”, com molhos mais adocicados, para mim não rolou, mas houve quem gostou. E que tal “chicken milanasia”? Sacaram?

Pois é isso: o que ficou, na verdade, foi a ideia do lugar. Uma fusão inesperada e nem diria que bem-sucedida em todos os momentos, mas que chega a causar alguma emoção. E a grande sacada: escapar de referências. Ser único na categoria. Ou você já comeu frango à milanasia melhor em algum outro lugar?

Disse eu que falaria sobre “momentos de alta gastronomia”. Acho que menti, mas posso explicar. Depois de uma semana comendo em restaurantes nos quais o luminoso na porta é muito mais importante do que o cardápio, qualquer molho rosé ganha ares de comida francesa chic e da boa.

A última parada da viagem foi em Los Angeles e ficamos em um hotel bastante interessante. De cara, um sujeito simples e velho como eu sente vontade de rir ao ver a opção sugerida pelos decoradores e aceita pelos proprietários. Eu diria: risível. Outros mais bacanas que eu, essa turma que adora o desconforto de hotéis-butique geralmente exagerados em design e demais itens de gosto duvidoso, certamente adoram o Mondrian.

Não posso negar: confortável, serviço impecável, localização muito boa e uma vista muito simpática. O bar do hotel chega a ser triste e a culpa não é dele. Explico melhor mencionando Rachel, nossa produtora local. Pedi a ela indicação de bons restaurantes e ela sempre começava dizendo: “Para ver e ser visto, temos X, Y, Z”. E outros tinham somente boa comida, mas não eram locais “para ver e ser visto”. Ou ainda, um rabichinho de comentário: This place is very LA. Pois o bar do hotel se encaixava nessa categoria do ver e ser visto e era muito LA.

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Logo na porta se digladiavam as mais estranhas criaturas que o mundo da cirurgia plástica consegue produzir. Figuras deformadas, para o meu gosto, e desesperadas por um olhar. Um dedo de um produtor que apontasse na direção dela dizendo: you! Um segurança gentil fazia a seleção dos que entravam e pude ouvir nomes sendo mencionados, seguido de um constrangedor: sorry!

O restaurante também bombava, mas com mais discrição. É o famoso entre os famosos Asia de Cuba. Você pode encontrá-lo em outras boas cidades ao redor do planeta como Londres, Miami, Buenos Aires. Seu criador é o empresário restaurateur Jeffrey Chodorow.

Talvez você se lembre dele. Fazia parte de um reality sobre restaurantes. Um estranho chef tentava montar um novo restaurante e aí tínhamos toda aquela “bistecada” de sempre.

O que vale saber: Jeffrey tem ideia. Nem sei se sabe comer, se tem bom paladar. Fato é: tem ideias criativas a respeito de conceitos gastronômicos.

Esse tal citado e por mim provado é uma mistura das cozinhas asiá-tica e cubana. Ele não especifica a parte da Ásia que o inspirou. Mas de vez em quando rola um gengibre, um shoyu, leite de coco. De Cuba, francamente tenho pouquíssima referência, a não ser do clássico filé à cubana com sua enorme banana à milanesa que, a exemplo do camarão à grega e do lombinho canadense, não deve ter sido provada por nenhum habitante da ilha dentro da ilha.

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