Cultura
Um ídolo decaído
Aqui É o Meu Lugar, filme dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino, revê a trajetória de um artista incomum pelo prisma do ser real que o habita
Aqui é o meu lugar
Paolo Sorrentino
Cheyenne, o protagonista de Aqui É o Meu Lugar, filme dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino que estreia sexta 27, recebe na Irlanda a notícia da morte do pai em Nova York. Deixa então a mansão onde vive isolado com a mulher num cotidiano de hábitos repetitivos e segue para lá de navio, pois nãosuporta voar. É apenas uma das excentricidades desse ídolo decaído do rock que ainda permanece com os signos de um estrelado distante, a aparência gótica, de cabelos compridos e desgrenhados, maquiagem e roupas pretas. Mas ele intui que, depois de uma vida no limite regada a álcool e drogas, sua hora passou e uma chance de recuperar o passado se desenha.
A história agora é pessoal e diz respeito à má convivência com o pai e um segredo deste desconhecido por Cheyenne. O patriarca tratava na vida de perseguir o oficial alemão que condenou as raízes judias de sua família a Auschwitz. Cabe ao filho prosseguir na busca, o que faz com a ajuda de um caçador de nazistas ao atravessar os Estados Unidos. Suas experiências ao pôr-se na estrada não farão necessariamente Cheyenne, com seu tipo infantilizado, voz fina e andar
titubeante, amadurecer.
Não é esse o confronto essencial do filme, e sim rever a trajetória de um artista incomum pelo prisma do ser real que o habita. Uma ambivalência que dá a Sean Penn a chance de uma interpretação fascinante, marcada por influências evidentes da cena roqueira dos anos 1980, com líderes como David Byrne, cuja canção This Must Be the Place confere título original ao filme, Siouxsie and the Banshees e Robert Smith e seu The Cure.
Aqui é o meu lugar
Paolo Sorrentino
Cheyenne, o protagonista de Aqui É o Meu Lugar, filme dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino que estreia sexta 27, recebe na Irlanda a notícia da morte do pai em Nova York. Deixa então a mansão onde vive isolado com a mulher num cotidiano de hábitos repetitivos e segue para lá de navio, pois nãosuporta voar. É apenas uma das excentricidades desse ídolo decaído do rock que ainda permanece com os signos de um estrelado distante, a aparência gótica, de cabelos compridos e desgrenhados, maquiagem e roupas pretas. Mas ele intui que, depois de uma vida no limite regada a álcool e drogas, sua hora passou e uma chance de recuperar o passado se desenha.
A história agora é pessoal e diz respeito à má convivência com o pai e um segredo deste desconhecido por Cheyenne. O patriarca tratava na vida de perseguir o oficial alemão que condenou as raízes judias de sua família a Auschwitz. Cabe ao filho prosseguir na busca, o que faz com a ajuda de um caçador de nazistas ao atravessar os Estados Unidos. Suas experiências ao pôr-se na estrada não farão necessariamente Cheyenne, com seu tipo infantilizado, voz fina e andar
titubeante, amadurecer.
Não é esse o confronto essencial do filme, e sim rever a trajetória de um artista incomum pelo prisma do ser real que o habita. Uma ambivalência que dá a Sean Penn a chance de uma interpretação fascinante, marcada por influências evidentes da cena roqueira dos anos 1980, com líderes como David Byrne, cuja canção This Must Be the Place confere título original ao filme, Siouxsie and the Banshees e Robert Smith e seu The Cure.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



