Cultura
Três vezes banal
A Visitante Francesa comporta situações de certo humor, suficientes apenas para salientar o inesperado delas
A VISITANTE FRANCESA
Hong Sang-soo
Muito se remarcou a filiação do coreano Hong Sang-soo à Nouvelle Vague e, especialmente, ao cinema de Eric Rohmer, um dos deflagradores do movimento francês. Essa perspectiva é evidente em HaHaHa, exibido aqui em circuito. No filme está o formato de conto que tanto o diretor explora em sua filmografia e em muito devedora de Rohmer, justamente realizador de uma série denominada como contos. Também as personagens, um tanto diluídas numa vida sem grandes rompantes, tratam do comezinho, dos pequenos dramas profissionais ou amorosos, crises exigentes o suficiente. Não há, portanto a novidade, senão a sensação de Sang-soo reestruturar o mesmo veio dramático, no novo filme A Visitante Francesa, estreia da sexta 5.
A concepção de drama é outra particularidade. As situações comportam certo humor, suficiente apenas para salientar o inesperado ou mesmo ridículo delas. Por isso o achado hábil da estudante que escreve três histórias com a mesma personagem, no mesmo local, em circunstâncias diferentes. Na primeira, a visitante estrangeira do título chega a uma praia como diretora de cinema. A seguir, ela é uma mulher casada à espera do amante, e, por fim, uma divorciada cujo ex-marido a trocou por uma jovem coreana. São todas interpretadas por Isabelle Huppert, presença que reafirma o embate entre cultura e sociedade diferentes, quando não status e idade, nos encontros com figuras nativas, a exemplo do salva-vidas. Neste interesse pela mínima elaboração em seus contos, o diretor consegue empatia menor ou maior, como costuma ser no mais banal dos cotidianos.
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