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A 42ª Mostra Internacional de São Paulo exibe mais de 300 produções inéditas a partir desta quarta-feira 17

Cena de Uma Carta para um Amigo em Gaza, de Amos Gitai
Cena de Uma Carta para um Amigo em Gaza, de Amos Gitai

Roma, filme de fundo autobiográfico do diretor mexicano Alfonso Cuarón (que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza), é uma das 300 produções inéditas que a 42ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo coloca em mais de 30 salas de São Paulo e Campinas entre os dias 17 e 31 de outubro.

Com 70 filmes brasileiros e cerca de 30 hispano-americanos, a mostra traz ainda os destaques Assunto de Família, do japonês Hirozaku Kore-Eda (vencedor em Cannes), e Não Me Toque, da romena Adina Pintilie (vencedor em Berlim). Esta edição finca pé na questão do enfrentamento aos extremismos: um dos inéditos é Infiltrado na Klan, de Spike Lee, que conta a história de dois policiais, um negro (John David Washington) e um branco (Adam Driver), que entram na Ku Klux Klan para o enfrentamento contra o racismo.

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Acusado com frequência de ser misógino, machista e desrespeitoso com as vítimas do nazismo, o dinamarquês Lars von Trier apresenta no Brasil seu novo filme, A Casa Que Jack Construiu (The House That Jack Built), que chocou o festival de Cannes por seu sadismo e perversidade. Conta a história de um serial killer que comete assassinatos violentos, submetendo as vítimas a humilhações extremas antes de executá-las.

Além de produções polêmicas de todo tipo, o festival dará o Prêmio Leon Cakoff ao cineasta iraniano Jafar Panahi, atualmente submetido a prisão domiciliar (dele, será exibido o mais novo filme, 3 Faces). E será exibido Almas Mortas, do chinês Wang Bin, uma visão bastante crítica da experiência comunista em seu país de origem.

É, como de hábito, uma maratona para cinéfilo nenhum botar defeito. O eterno enfant terrible do cinema, o franco-suíço Jean-Luc Godard, de 86 anos, tinha anunciado que pararia de filmar em 2011. Mas voltou à cena do crime e realizou primeiro Adieu au Langage (2014) e agora fez seu complemento, Imagem e Palavra (Image et Parole). Segue sendo um dos maiores revolucionários e pensadores do cinema.

Filmes novos de 56 países completam a oferta da mostra, como os de Margarethe von Trotta (Procurando por Ingmar Bergman), Olivier Assayas (Doubles Vies), Jia Zhang-Ke (Amor Até às Cinzas), Corneliu Porumboiu (Futebol Infinito), Carlos Reygadas (Nuestro Tiempo) e Pablo Trapero (La Quietud). Entre os brasileiros inéditos estão Humberto Mauro, de André di Mauro, Azougue Nazaré, de Tiago Melo, Cravos, de Marco del Fiol, Filme Ensaio, de Maria Flor, O Samba É Meu Dom, de Cristiano Abud, e Sócrates, de Alex Moratto.

A mostra será aberta, para convidados, no Auditório do Ibirapuera, com o longa A Favorita, do grego Yorgos Lanthimos, falado em inglês. Haverá a exibição, ao ar livre, no Parque do Ibirapuera, de A Caixa de Pandora, filme mudo do austríaco-alemão Georg Wilhem Pabst (1885-1967), realizado há 90 anos. A sessão terá acompanhamento ao vivo da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo.

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