Cultura

Tássia Reis transcende o rap em letra e melodia com propriedade

‘Eu tenho crítica social, mas sou mais uma artista que extrapola um pouco a questão do rap’, diz artista ao comentar letra de Me Diga

(Foto: Arquivo Pessoal)
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Dias atrás a cantora e compositora Tássia Reis, 30 anos, lançou um clipe da faixa Me Diga, de seu segundo álbum apresentado ano passado, o elogiado Próspera. O registro apresenta imagens de sua carreira artística ainda em evolução, mas já com passagem em festivais no exterior.

A extensa letra de Me Diga revela sentimentos de inquietação, as intuições e a espiritualidade, e os riscos da vida.
Alguns versos da composição são de incertezas: “Às vezes eu não sei onde está o chão / E quanto mais eu procuro, fica mais inseguro / Eu vejo o mundo correndo na contramão / Em minha direção, prontos pra colisão, e não dá pra fugir”.

Outros, a necessidade de autoconfiança: “Ouvi dizer que é assim que se voa / O medo se insinua, mas o corpo flutua / Quer alcançar a lua / Coragem não perdoa, como uma ideia boa que só você possua / E a responsa tá na tua, não em outra pessoa.”

A música tem a ver com o momento que vivemos de pandemia, mas foi feita muito antes por Tássia Reis. E o clipe foi pensado no final do ano passado e sua produção já tinha caminhado bastante antes do isolamento social.

“É uma música muito reflexiva. Ela vem trazendo a perspectiva de como lidar com nossos medos e nossos sonhos. Sonhos no sentido do que a gente quer conquistar. Trago na letra de forma bem particular”, diz.

A maneira de se expor difere do RAP tradicional, embora seu trabalho esteja próximo do gênero e ela mesma se considera uma rapper.

“Eu tenho crítica social, mas sou mais uma artista que extrapola um pouco a questão do rap”, afirma, ressaltando que isso acontece tanto na letra como na melodia.

Desde início, seu trabalho apresenta inserções de jazz, soul, MPB. O fato é que ela dá outro direcionamento ao rap, com criatividade e singularidade.

“Nos anos 1990 o rap falava mais de crítica social. Nos anos 2000 para frente vem falando na primeira pessoa, muito da influência das batalhas de rima. Eu venho dos anos 2010, lancei meu primeiro som em 2013, e meu EP em 2014. Então venho de uma geração que mistura um pouco de cada época dessas”.

Poesia

O olhar de Tássia Reis sobre sua música é de um tom mais poético pessoal, mas ainda assim não abandona o complexo contexto em que está inserida.

“Percebo em mim uma necessidade de resgatar uma subjetividade que o racismo acaba retirando das pessoas pretas. Uma necessidade de falar não só o que a sociedade imagina que uma pessoa preta é capaz de dizer, quando a gente é capaz de falar qualquer coisa, a qualquer momento, sobre o tempo, a tecnologia, a arte. A crítica social é importante, mas outras coisas também são”.

A pandemia foi “um choque” para essa jovem cantora em ascensão e com muitos planos. Tássia estava com viagem marcada para Austin, no Texas (EUA), onde se apresentaria no South by Southwest ou SXSW, um dos festivais de cultura e inovação alternativos mais importantes do mundo.

Dias antes de embarcar o evento foi cancelado e decretado no Brasil a quarentena para combater a propagação do novo coronavírus. A cantora tinha ido ano passado a Europa para participar de festivais pela primeira vez (como o de Roskilde, na Dinamarca, e Les Escales, na França), e essa seria sua estreia de shows nos Estados Unidos.

“A pandemia mostra como a gente é vulnerável e como tudo está conectado. É importante transmitir para as pessoas a importância do isolamento, de se cuidar, dentro do possível”.

Com o cancelamento de shows, a cantora retomou seu projeto de loja virtual de roupas, de sua marca Xiu!, que ela tinha dado uma parada por causa dos inúmeros compromissos com a música.

Em agosto, Tássia Reis programa o lançamento de mais um clipe com uma faixa do álbum Próspera.

Augusto Diniz

Augusto Diniz
Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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