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Reunião amorosa

Em “Vocês ainda não viram nada!”, Alain Resnais, aos 90 anos, aprofunda como nunca seu amor ao teatro

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Vocês ainda não viram nada!


Alain Resnais

 

O cinema do francês Alain Resnais, ou boa parte dele, é feito de uma relação amorosa entre a câmera e o teatro. Desde Providence (1977) pode-se notar seu fascínio pela dramaturgia.

Estão lá a noção estática do tempo, um único cenário, que proporciona o vagar necessário à fruição da obra. Com os anos, essa estrutura teatral acentuou-se e Paris tornou-se uma representação fechada em estúdio, dos interiores em Melô e Smoking/No Smoking à capital cenográfica de Medos Privados em Lugares Públicos. Resnais, aos 90 anos, nunca aprofundou tanto seu amor ao teatro como em Vocês ainda não Viram Nada!, estreia da sexta 12. Ao somar o clássico autor Jean Anouilh a sua galeria de dramaturgos, Resnais renova-se por um caminho que de início pode soar antiquado. Mas é só aparência. De Anouilh ele adapta Eurídice. Diversos atores franceses conhecidos, intérpretes de si mesmos, recebem por telefone a notícia da morte do autor e diretor Antoine d’Anthac, este ficcional. Em comum, participaram de montagens do texto sob sua direção. Um a um, Sabine Azéma, Pierre Arditi, Mathieu Amalric, Lambert Wilson, Anne Consigny, Michel Piccoli, entre outros, seguem para o enterro e são recebidos com um videotestamento. Anthac os apresenta a uma nova adaptação de Orfeu e Eurídice.

A partir daí, os veteranos passam a interagir com a versão e revivem seus papéis. A metalinguagem, antes de mecânica, esvanece com a habilidade de Resnais em costurar o drama de modo a também se tornar reflexão da arte de atuar e do amadurecimento. Forma-se então um filme terno e brilhante sobre o reencontro de amigos e antigos parceiros.

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