Cultura

Rafael Pimenta vê potencial do podcast para o teatro

Com a pandemia, os espetáculos presenciais da cultura foram brutalmente prejudicados; a internet passou a ser o palco deles

Créditos: Aline Ewald Créditos: Aline Ewald
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O diretor e ator Rafael Pimenta apresentou durante a pandemia 21 episódios do projeto Enciclopédia do Teatro Impossível pelo podcast. A primeira temporada já foi encerrada, mas o diretor de teatro e ator vê potencial de novas experiências com o aplicativo.

 

“Para mim, era o recurso mais próximo do teatro no momento. Naquele contexto inicial do isolamento de 2020, vivia um período de muita angústia. Senti que tinha perdido a capacidade de me comunicar. Afinal, minhas criações sempre foram pensadas para o teatro, para serem experimentadas em convívio”.

A Enciclopédia do Teatro Impossível reúne um conjunto de relatos sobre a história do teatro brasileiro pelos seus fracassos, que tiveram problemas com o público durante a peça, questões de bastidores fora do habitual. “Todos refletem experiências reais com o teatro, alguns mais próximos do que dizem os documentos e outros mais fantasiosos”, diz.

Os episódios são relatados pelo próprio Rafael, muito bem realizados e envolventes, com várias participações, como a atriz Nathalia Timberg, Mel Lisboa, Gabriela Poester, Paula Silvestre, entre outros.

Segundo ele, a escolha de histórias de fracasso tem muito a ver com essa busca, com o que significa fazer teatro hoje, nessas condições difíceis.

“Tudo fez sentido quando entendi que deveria produzir um conceito que me permitisse extrair alguma experiência estética dessa restrição. Foi assim que cheguei no Teatro Impossível. Primeiro, realizei uma série de quase 40 lives diárias pelo Instagram em que ensaiava uma obra impossível para aquele momento, uma peça que nunca seria realizada, que era Hamlet”.

O ator conta ainda que depois que uma empresa, a Papier Digital, ofereceu recursos para fazer um podcast, percebeu que poderia aprofundar essa experiência.

“O podcast é um veículo que conversa a partir da intimidade, do pensamento e, portanto, pode trabalhar a sugestão, que é um dos recursos maravilhosos do teatro”.

Os espetáculos presenciais da cultura foram brutalmente prejudicados nesta pandemia. A internet passou a ser o palco deles. Rafael, no entanto, lembra que já havia gente trabalhando no podcast, nas redes sociais e na realidade virtual.

“Mas agora há um público maior disposto a conhecer experiências nessas mídias. Penso que isso é bastante positivo, saber que podemos contar com outros recursos”, afirma.

“No caso do teatro, com palco e plateia, é difícil prever [o futuro]. Mas penso que o fator mais determinante não será o novo hábito, e sim a precariedade que o setor cultural deve encarar. Numa crise financeira e social, a cultura costuma ser uma das primeiras áreas a perderem investimentos públicos e privados”, avalia.

“Então, acho que isso deve afetar bastante as decisões de um artista quando quiser produzir um espetáculo de forma independente. É muito mais barato produzir um podcast, por exemplo. Por isto, acredito que a tendência pós-pandemia seja o predomínio de solos, shows de stand up, temporadas curtas e, sim, performances digitais”.

Por outro lado, o diretor de teatro verifica que o isolamento diminuiu a resistência de alguns artistas do palco para colaborações à distância, o que possibilitou muitas parcerias. “Isto deve estimular um intercâmbio maior nos próximos anos”, finaliza.

Augusto Diniz

Augusto Diniz Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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